Imperdoável (Impardonnables, França, 2012)
Dir:
André Téchiné

Imperdoável é então um Téchiné
autêntico em forma, mas dessa vez as coisas não funcionam tão bem. Talvez seja
essa rapidez que torna tudo tão fugaz, tão difícil de se apegar aos personagens
e seus dramas. O ciúme de Francis, que paga para que sigam e vigiem a mulher no
dia-a-dia, é uma das boas ideias que se perdem entre os tantos personagens e seus
dramas (como a filha “desaparecida” dele, o filho de uma amiga dela, recém saído da
prisão). Não deixam de ser personagens interessantes, mas o filme não parece se
decidir em quem apostar mais.
O
tempo passa rápido vendo o filme e isso, por incrível que pareça, não é uma
vantagem já que há pouco de significante aqui. Téchiné filma com cuidado,
valoriza a bela geografia do lugar (e o espaço conta muito no filme), mas pouco
fica. Dussolier e Bouquet estão ótimos em cena, ele especialmente. Mas tem
muita gordura no roteiro.
Indignados (Idem,
França, 2012)
Dir:
Tony Gatlif

Mas
Gatlif encontra uma bela maneira de tratar tema tão em moda no cinema atual. É
claro que ele está do lado dos militantes, mas o filme nunca adota esse tom de
combate. Ajuda muito o fato dele se apegar a essa imigrante ilegal africana,
Betty (Mamebetty Honoré Diallo),
que observa a tudo com um misto de atenção e alegria pelo clima de
efervescência revolucionária.
Nessa
viagem transcultural de Gatlif (ele adora isso), pode-se dizer que o filme se
passa na Europa (é o que ouvimos a protagonista dizer ao telefone para seus
parentes, “cheguei à Europa”). De início, vemos que se encontra na Grécia, mas a
variedade de línguas e regiões distintas ganha corpo nesse caldeirão cultural
que se tornou o continente europeu contemporâneo.
Elena (Idem, Brasil,
2012)
Dir:
Petra Costa

Mas
a própria Petra é também figura importante na história, a irmã mais nova que
observa os descaminhos de talento e insanidade pelos quais a mais velha passa, como
criança sem entender muita coisa. Agora, mais madura, retoma o material e
constrói uma narrativa poética e lúcida sobre o drama de sua família. O segundo
grande acerto de Elena é o texto em off que tem tanto de leveza, doçura e
poesia, que torna tudo muito mais bonito, dolorosamente belo.
E
nesse se por no filme, Petra faz ainda uma bela relação com seu encontro
pessoal com a arte, outra constante interessante no filme. Elena era atriz de
teatro que ensina à pequena Petra como atuar. Se Elena vai se perder por outros
motivos, Petra se lança no caminho da arte e, passeando por alguns outros
caminhos, se encontra agora como artista segura (?) de seus passos.
A
presença de Elena é sentida a todo instante no filme e mesmo com a sensação geral de
dor, não se trata de uma obra pesarosa, como uma forma de expurgo. Pode até ter
servido a esse propósito por parte da diretora e também da família (a dor e
remorso da mãe são marcas fortes no filme), mas a impressão final é de um
trabalho sólido de montagem e recriação, autoavaliação, além de exalar emoção intensa.
Elena é memória, mas também
libertação.
L (Idem, Grécia,
2012)
Dir:
Babis Makridis

Se
há uma muito boa ideia aqui – o homem (Aris Servetalis) que não tem casa e vive
no seu carro, onde também trabalha como motorista –, o filme não consegue dar
conta dessa situação, ou antes não se interessa por ela, preferindo dar vazão a
situações mais idiotas. A estética chapada do plano estático e demorado, os
atores carregando expressões vazias, a frieza em lidar com certas situações
tensas, é o que nutre o filme.
Tem
também uma outra sacada interessante aqui: o abandono da “vida no
carro” por uma outra forma de “moradia”. É o tipo de virada no roteiro que
lança questões à narrativa, mas o filme continua insistindo na bizarrice e
as boas ideias se perdem. Assim, L é subaproveitado, tedioso e desperdiça oportunidades para dar conta da
atmosfera de filme-demente. Poderia render bem mais.
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