segunda-feira, 25 de julho de 2011

Roubando oportunidades

Assalto ao Banco Central (Idem, Brasil, 2011)
Dir: Marcos Paulo


É interessante pensar no quanto falta ao cinema brasileiro filmes de gênero. Desde que não seja comédia pasteurizada da Globo Filmes, filme de favela ou de sertão, pouco se faz no país fora dessas vertentes, pensando até num conceito comercial de cinema de qualidade. Nesse sentido, Assalto ao Banco Central vem tentar conferir novos ares às produções nacionais de gênero policial, muito embora os resultados ainda não sejam dos melhores.

Pelo menos é muito mais interessante do que se tem feito em termos dessas narrativas, como em Federal ou Segurança Nacional, por exemplo. O filme de Marcos Paulo se utiliza de um assalto real acontecido em Fortaleza, em agosto de 2005, em que uma quadrilha de bandidos investiram numa organizada logística para cavar um túnel que os conectasse com o cofre do Banco Central, de onde retiraram mais de 160 milhões de reais.

No entanto, não se trata de um filme policial de ação propriamente dita, mas muito mais de estratégia e investigação. Nesse sentido, o filme se divide em dois tempos narrativos, aquele em que mostra a formatação e aplicação do plano dos bandidos, e posteriormente, a investigação policial para encontrá-los e recuperar o dinheiro, se valendo de uma montagem paralela bastante eficiente.

Pena que o desenvolvimento de ambos os centros narrativos pecam, principalmente, por um texto fraco, colocando frases de efeito nos diálogos de praticamente todos os personagens, como se toda sequência precisasse terminar com uma linha de impacto. Quem mais sofre com a fragilidade do roteiro são os personagens de Lima Duarte e Giulia Gam, investigadores policiais que precisam, didaticamente, explicar um ao outro o passo a passo da própria investigação, como se não fizessem parte de uma mesma organização. São os piores momentos do filme.

Já as sequências que mostram os bandidos pondo em ação o plano, principalmente pela dificuldade em cavar o túnel, são melhores resolvidas, mas perdem força por se distanciarem justamente das dificuldades enfrentadas em concluir o plano no tempo estabelecido,. Preferem romantizar um certo triângulo amoroso em que Carla (Hermila Guedes, mulherão estilo femme fatale), mulher do chefe do bando, o Barão (Milhem Cortaz). se envolve com o golpista Mineiro (Eriberto Leão, super canastrão). Não que essas estratégias de ficcionalização não sejam interessantes para o ritmo do filme, mas acaba-se esquecendo da tensão que poderia surgir do plano em si, coisa que o filme desperdiça.

Outro grande problema do roteiro, e que afasta ainda mais o filme da seriedade, tensão e senso de perigo que a história parece sugerir, são os vários momentos de alívio cômico espalhados pela narrativa. Funcionam em sua maioria, mas faz perder de vista a atmosfera de risco tão importante em projetos assim (o personagem gay e evangélico de Vinícius de Oliveira é o caso mais latente disso). Vindo da TV, o diretor Marcos Paulo pouco tem a acrescentar em termos de encenação, embora a montagem nunca torne o filme cansativo.

Mesmo assim, Assalto ao Banco Central vale pela tentativa do gênero, mas frustra pela negligência com que trata seu material. Parece faltar um conceito mais sólido daquilo que um filme policial precisa para manter esse título. Como diz um dos personagens ao saber do plano mirabolante do assalto, “isso é coisa de filme”. Taí o que o projeto e seus envolvidos precisam assumir que é.

2 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Pense num filme ruim... Por um triz não deixei a sala de cinema antes do final.. Isso não é cinema, é TV da pior qualidade.

O Falcão Maltês

Rafael Carvalho disse...

Calma Antonio, nem é tão ruim assim, mas podia ser bem melhor. O problema é essa tentativa de fazer filme de gênero sem ter muita segurança.