quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O velho companheiro

Lula, O Filho do Brasil (Idem, Brasil, 2009)
Dir: Fábio Barreto

O poder e influência da família Barreto no meio cinematográfico parece ser inversamente proporcional ao talento de seus diretores em construir obras eficientes, ou o mínimo interessantes. Lula, O Filho do Brasil chegou aos cinemas como a mais cara que o país já produziu, muito embora é tomada por uma palidez que só reforça o caráter meramente comercial da história.

Se por um lado é bastante emblemático que o filme, visivelmente parcial (embora não há mal algum nisso), seja lançado ainda durante o mandato de seu biografado e em pleno ano eleitoral, parece haver uma pensada estratégia em encher os cinemas com o mesmo povo que compareceu em massa nas urnas para eleger e re-eleger o atual presidente.

Questiona-se: por que contar essa história? Porque é a história de um homem que venceu na vida, e venceu com o apoio de grande parte dos brasileiros. Não que eu duvide da validade da trajetória de vida de Lula. De fato, é um feito e tanto para uma pessoa que cresceu naquelas condições chegar ao cargo de chefia da República.

E aí vem um dos grandes entraves da obra: com uma história tão rica, porque o filme se limitou a ser tão chapado? Sim, porque todo o filme exala um tom burocrático ao simplesmente retratar os principais acontecimentos na vida de Lula, sem maiores desdobramentos que enriqueceriam a narrativa, quase como se não houvesse maior interesse por aquilo que está sendo mostrado, pelo simples fato do filme ser sobre quem é e ponto.

Outra questão emblemática é falar da limitação de Fábio Barreto num momento em que o diretor se encontra em estado grave de saúde. Mas é evidente sua falta de talento em criar essas nuances e fugir da biografia convencional. Parece quem nem é ele o responsável pela incrível cena do comício no estádio de futebol onde Lula fala a uma multidão, se microfone, e suas palavras precisam ser repassadas em coro para os operários que estão mais atrás.

Além disso, parece uma grande salvação que Glória Pires esteja no elenco porque, apesar do texto fraquíssimo que tem em mãos, ela consegue fazer milagre, muito embora sua personagem não consiga fugir do estereótipo da supermãe batalhadora. Talvez ela seja a verdadeira heroína do filme.

7 comentários:

Wallace Andrioli Guedes disse...

Pois é, o filme é isso mesmo. Eu sou fã do Lula, confesso, e acho a vida dele muito cinematográfica. Tanto a trajetória mostrada nesse filme aqui, quanto tudo o que veio depois, a fundação do PT, as eleições, até o governo... ENTREATOS tá aí pra mostrar isso.
O problema é que o filme do Barreto é extremamente convencional mesmo, burocrático. Acho que funciona muito bem em seu início, o que me surpreendeu, com Glória Pires tomando conta da cena e Milhem Cortaz muito bem, e no final, emocionante. O miolo é oco. Vazio. Burocrático. No fim das contas, soa como uma oportunidade perdida. Ainda que seja um filme menos pior do que eu imaginava que seria.

Cristiano Contreiras disse...

Ainda não pude conferir, mas acho que o roteiro é muito embasado, ainda que o elenco seja...global!

bom blog, sempre!

bruno knott disse...

Concordo... uma história bacana como a da Lula poderia ter sido melhor trabalhada

Abs.

Diego Rodrigues disse...

Nem vi. Mas tenho curiosidade. O bom é que não é o desastre anunciado, né!

kah disse...

Eu não consigo ter vontade de ver este filme.

http://cinemaemdvd.blogspot.com/

Eduardo Albuquerque disse...

Lula simplesmente me decepcionou muito como presidente. E esse filme me causa repúdio, só de ver em que momento ele é lançado (só falta aparecer um letreiro "vote dilma 2010" no final do filme...).

Parabéns pelo blog e pela crítica. Comecei a pouco tempo um blog de críticas e é interessante eu me guiar um pouco lendo outros.

Rafael Carvalho disse...

Bela lembrança a do Entreatos, Wallace. Embora eu não seja fã de Lula (por mais que sempre tenha votado no PT), acho um desperdício o que fizeram nesse filme, principalmente pela soma de dinheiro investida.

Cristiano, o roteiro segue o rumo da trajetória dele, muita coisa ali a gente já sabe, não acho que o rotero seja assim embasado. Mas veja e diga depois o que achou.

Exatamente isso Bruno. Achei um desperdício.

Então Diego, para alguns pode ser, sim, um desastre, mas bem que podia ser melhorzinho. Veja assim que puder.

Kah, por que não? É uma visão mais humanizada de um homem que tem vida pública. Acho isso uma proposta interessante, mas não quando soa burocrático como esse aqui. De qualquer forma, te incentivo a ver.

Calma Eduardo, cuidado para não misturar as coisas. Lula pode te decepcionar pelas atitudes políticas atuais, coisa que o filme não pretende abordar. Acho que você deve dar uma chance ao filme, por mais que os comentários não sejam lá tão estimulantes.