segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Simplório demais

Simplesmente Amor (Love Actually, Inglaterra, 2003)
Dir: Richard Curtis


A cena de abertura de Simplesmente Amor, em um aeroporto onde vários familiares e conhecidos se reencontram, promete uma visão bem otimista e palpável de como o amor está presente em nossas vidas, onde quer que estejamos. Mas é muito triste perceber que essa idéia fica presa nessa pequena cena, em prol de um emaranhado de histórias que não faz jus ao quanto o filme tenta celebrar o amor mais verdadeiro. Vários personagens, interligados entre si, vivem as mais desventuras contra e sobre o estar amando. A maioria delas, mal resolvidas.

Há o cara que é apaixonado pela esposa de seu melhor amigo, a mulher que está a fim de um colega de trabalho, outra que desconfia da fidelidade do marido, até as mais bobas e absurdas, como o garotinho que sofre de amores por uma coleguinha, o Primeiro-Ministro da Inglaterra que baba pela secretária e o rapaz bobalhão que viaja para os EUA para “pegar” mulher.

Não estou querendo dizer que essas situações não possam ocorrer. Elas são bem comuns. Mas é justamente na obviedade que o filme tenta tirar algo de belo e interessante, mas não passa do “bonitinho”. Além disso, os diálogos são sofríveis, sem inspiração alguma. Para aumentar o clima de “o amor está no ar”, várias musiquinhas romantiquinhas surgem à medida em que a situação se torna mais amorosa.

Com isso, um elenco estelar só poderia ser o grande atrativo de bilheteria do filme. Há algumas atuações inspiradas como a de Laura Linney, numa personagem insegura mas determinada a conquistar seu colega (Rodrigo Santoro, até que bem expressivo) e Emma Thompson, que sofre sozinha pela possível infidelidade do marido (Alan Rickman). Por outro lado, o Primeiro-Ministro de Hugh Grant soa ridículo enquanto Liam Neeson faz pouca coisa como o pai que aconselha seu filhinho nos ditames do coração.

Interessante notar que o melhor dos personagens não está apaixonado por ninguém: Bill Nighy interpreta o cantor de rock cinquentão e desagradável, tentando voltar à fama, numa performance cheia de ironia e trejeitos (a dancinha dele é hilária).

Digo que não sou, de forma nenhuma, contra finais felizes. Muito antes do filme terminar, nada me soava natural enquanto o narrativa se arrastava através das tramas de cada um. O pior de tudo é quando o filme tenta, sem sucesso, reproduzir as cenas reais das pessoas no aeroporto que aparecem na abertura. Ali, sim, o amor parece pulsar da tela verdadeiramente, amor de mãe, de irmão, de namorada, de gente.

11 comentários:

fabiana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
fabiana disse...

Eu achei o filme bem bonitinho! Coloriu o meu fim de ano quando assisti!
A cena em que Emma Thompson chora a infidelidade do marido ao som de Joni Mitchell é bem tocante.
Pô, eu gostei desse filme...

Vulgo Dudu disse...

Eu não tenho coragem de encarar um filme assim... Mas o fato dele ser inglês pode significar um humor diferenciado. Estou certo?

Abs!

Indhy disse...

Poxaaa, maior tempão que vi este filme. Ele realmente peca pelo senso comum ao extremo, pelos clichês - milhares deles - pelo elenco com estrelas fazendo papéis desinteressantes... Lembro de ter gostado bastante da trilha sonora, e apesar da pieguice em alguns momentos, eu salvaria algumas cenas. Mas concordo com as duas estrelas, rs.
Bjos, Rafa!

Rafael Carvalho disse...

Tá bom Fabiana, bom que você gostou. Só achei assim meio bobinho. E realmente essa cena é muito legal, assim como a reação da Laura Linney depois de beijar o Rodrigo Santoro. Amo a Laura Linney! Mas melhor ainda é a cena de abertura no aeroporto.

Olha Dudu, o fato de ser inglês não mudou muita coisa, mas o filme está longe de ser aqueles besteróis que a gente tá acostumado vindo da terra do Tio Sam. Mas, mesmo assim, o filme me parece bobinho demais.

Indhy, Muita gente me falava desse filme, e ficava enrolando pra ver. Grande decepção, principalmente pelo elenco. Algumas cenas são legais mesmo, como já disse para a Fabiana aí em cima, da reação da Laura Linney depois do beijo no Santoro e a sequência de abertura, claro!!

Wallace Andrioli Guedes disse...

Não seja injusto, Rafael, Simplesmente Amor é ótimo ... tudo bem que algumas histórias ali poderiam ter sido excluídas do produto final, já que não há razão para existirem, mas em geral o clima de "o amor está no ar" funciona muito bem, e fica difícil não ser cativado pelo filme.

Matheus Pannebecker disse...

Eu gosto de "Simplesmente Amor", mas acho que o imenso número de personagens atrapalha bastante o andamento do filme.

Rafael Carvalho disse...

Ih Wallace, não adianta tentar me convencer. Continuo achando que a maioria das histórias são muito bobinhas e banais; sem sal. Não me cativou. Mesmo. Mas que bom que funcionou com você.

Matheus, a quantidade de personagens nem me pareceu tanto um defeito, mas a relevância das histórias. Tem coisas sofríveis!

Andressa Cangussú disse...

Eu gosto desse filme!!!
Gosto mesmo!

E isso me deixou intrigada! Porque ele de fato é bem bestinha, nada de inovador, mas conseguiu minha atenção (Só da segunda vez que assisti, porque na primeira achei besta e meio).

Não sei...acho que com a nossa cinefilia acabamos esperando sempre textos espetaculares, histórias estremamente amarradas e que passem mensagens cheias de intenção nas entrelinhas, ae vem um bobo e acaba fazendo a gente sorrir! É o caso desse filme pra mim...

Rafael Carvalho disse...

Então Dê, eu sei que tem filmes que nos pegam de jeito, mas esse aí não teve esse efeito comigo. Um filme não precisa trazer algo de inovador para se gostar dele, mas o tratamento simplório dado às histórias de Simplesmente Amor enfraqueceu muito minha experiência com o filme. Mas que bom que você gostou!

Flavinha disse...

assim como indhy, tem um tempinho que assisti, mas pra mim ele foi um daqueles filmes que, qndo terminam, a gnte se pergunta "UÉ, JÁ ACABOU?" :(

As duas estrelas foi pura generosidade, hein Rafa! HAHAHAHAHAHA