segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Jovem espírito

Up – Altas Aventuras (Up, EUA, 2009)
Dir: Pete Docter e Bob Peterson


A única restrição ao alto nível de qualidade dos filmes da Pixar é que sempre esperamos por uma nova obra-prima. Vindo depois da pérola que é Wall-e, Up – Altas Aventuras sofre desse problema ainda mais por ter sido o filme de abertura do Festival de Cannes este ano, recebido com muito entusiasmo. Pode não ser um dos melhores do ano, mas mantém o senso de aventura nas alturas.

À parte a qualidade gráfica dos filmes do estúdio, algo que todos já temos ciência, mais uma vez a Pixar nos apresenta uma história cativante, capaz de divertir e emocionar, e ainda ser consistente em sua narrativa.

O personagem central da vez é Carl Fredricksen, esse velhinho ranzinza (mas de bom coração) que, estando prestes a ser manado para um asilo, prende sua casa a uma infinidade de balões para fazê-la voar e assim fugir dali para ir viver no topo de uma montanha de uma floresta na América do Sul, local onde ele e sua falecida esposa Eli sempre quiseram morar. Só não contava que o jovem e impertinente aprendiz de escoteiro Russel fosse estar na varanda casa no momento do voo.

O roteiro consegue apresentar esses personagens no início de forma exemplar, em especial Fredricksen, desde sua infância quando sonhava em viver grandes aventuras assim como um aviador famoso, o encontro com a menina Eli, com quem mais tarde se casaria, além da vida que construíram juntos, apaixonadamente, até a morte da mulher e sua rotina solitária numa casa rodeada de construções (essa sequência é exemplar no poder de síntese, além de emocionante). Por sua vez, Russel é visto como o garoto solitário, falador e curioso, disposto a ajudar e a ficar no pé do velho. A relação entre os dois vai se fortalecendo e não deixa de ser previsível a proximidade avô-neto.

No entanto, quando os personagens chegam ao local paradisíaco, a narrativa ganha outros caminhos com a inclusão de mais personagens e, apesar de introduzir novos pretextos para mais aventuras, perde um pouco em dinâmica. Os cães que conversam através de uma coleira eletrônica, por exemplo, soam deslocados naquele universo tão natural.

De qualquer forma, o filme celebra a aventura como fator indispensável para a vida e encontra no velho Fredricksen uma estranha representação do espírito aventureiro por conta da idade avançada. Porque depois que uma aventura termina, sempre há possibilidades de começar uma nova, sem receio de ser feliz.

8 comentários:

Diego Rodrigues disse...

A única restrição ao alto nível de qualidade dos filmes da Pixar é que sempre esperamos por uma nova obra-prima.

Exatamente, e isso não é bom, eu tô tentando me adaptar a isso ainda. Mas ainda assim achei muito bom o filme.

Gustavo H.R. disse...

Receio, isso sim, achar essa aventura superestimada como algumas das outras da Pixar, com suas pretensões temáticas que por vezes tornam as fitas pesadas. Embarcarei com reservas...

Victor Nassar disse...

É... Depois de Ratatouille e WALL-E a gente se torna mesmo mais exigente. Maaasss, a ideia é assitir UP sem querer fazer comparações.
E eu preciso ver urgente! heheh

Ailton Fernandes disse...

teria dado as quatro estrelas pra up, q soh n superou wall-e, o n eh tao facil... qnto ao perder a naturalidade, temos q permitr os devaneios da imaginação, afinal eh uma animação, mais para o publico infantil q para adultos

Leandro Afonso Guimarães disse...

o que me impressiona aqui - mais até do que no restante da serie pixar - é a presença de um tom fantástico que torna a animação o meio mais indicado para se trabalhar de um jeito tão bonito com uma coisa que, no fundo, não passa de ideias de auto-ajuda. é o transformar em belo as frases prontas - e isto não é fácil.
e, bem, só não comento mais para deixar alguma coisa pro meu texto dessa semana, rs...

Fred Burle disse...

Realmente tivemos opiniões bem parecidas com relação ao filme, Rafael!
É sempre um grande desafio para a Pixar, fazer filmes melhores que os anteriores. Esperamos muito deles e quando o filme derrapa em algumas pequenas coisas, como Up, acabamos por não gostar tanto, apesar de ser um filme bem divertido e por vezes emocionante.

Grande abraço!

Rafael Carvalho disse...

Então Diego, é um cuidado que a gente precisa ter, mas tentar não se contaminar com tanta propaganda em cima do filme é difícil.

Gustavo, por mais que os temas da Pixar sejam bastante maduros, nunca um fime deles soou pesado. É uma das melhores qualidades do estúdio, discutir questões pertinentes, sem serem densos ou caírem no lugar comum.

Isso é bom, Victor, tentar assistir sem comparações, e Up tem qualidades próprias e se sustenta muito bem. Veja mesmo, depois me diga o que achou!

Chuchu, acho que as 3 estrelas e meias estão de bom tamanho, senti uma perda de ritmo no meio do filme, mas nada que comprometa. Sem falar que a primeira parte é sensacional. E acho que uma das maiores caracterísiticas dos filmes da Pixar é que eles não se voltam somente para o público infantil, conseguem um equilíbrio invejável ao tratar de temas até pesados e densos (a questão da morte, por exemplo, nesse aqui).

Realmente Leandro, os filmes podiam muito bem soarem como lições de moral, principalmente por terem um apelo ao público infantil, mas a Pixar consegue ser bastante madura nesse sentido, e isso é para se louvar, mesmo!

Fred, de fato o filme tem suas derrapadas, mas é bem legal, divertido e, como disse, emocionante. Já nos primeiro minutos, não contive minhas lágrimas. E depois elas voltaram.

mz disse...
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