quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Mostra SP – Parte II



Winter Sleep (Kis Uykusu, Turquia/Alemanha/França, 2014)
Dir: Nuri Bilge Ceylan


Winter Sleep
é um longo e denso estudo de personagens, tipo de filme que busca fisgar o espectador pela imersão que faz na psicologia de seres de carne e osso, desnudados principalmente naquilo que possuem de condenáveis, ainda que não percebam essas nuances. Mas nada de truques baratos de simbolismos ou códigos arquetípicos aqui, nem sentimentos escancarados. Ceylan prefere revelar seus personagens através dos diálogos e situações cotidianas e parece não se importar com o tempo que isso leva.
  
Há toda uma verborragia de onde os personagens deixam escapar suas vontades, anseios, opiniões e posições; também transparecem aquilo que pensam sobre o outro, sua personalidade e atitudes, muitas vezes julgando e apertando feridas. Não é um filme fácil, tanto pela duração – são mais de três horas de “confrontos” pessoais –, quanto pela aspereza das relações que se estabelecem ali, muito sentida nas entrelinhas do que é dito e no como é dito.

É quase o mesmo caminho seguido pelo filme anterior do cineasta, o maravilhoso Era uma Vez na Anatólia. Uma das diferenças é que Winter Sleep concentra-se em um grupo menor de personagens, embaraçados em seus conflitos. O filme acompanha a rotina de Aydin (Haluk Bilginer), escritor e dono de uma pequena hospedaria na áspera e altiplana região da Anatólia, parte oeste da Turquia. Vive com sua jovem esposa Nihal (Melissa Sozen) e com a irmã Necla (Demet Akbag), recém-divorciada.

Palma de Ouro do último Festival de Cannes, o filme chega à Mostra SP com o hype lá em cima. Belissimamente fotografado, as cores quentes dão o tom das discussões cada vez mais acaloradas – em contraponto ao frio glacial que faz do lado de fora das casas. 

Ainda assim, há muita frieza no que se diz e em como os personagens se portam, especialmente em Aydin e sua arrogância velada, seu cinismo senhoril, numa espécie de autoimposta superioridade diante dos que o cercam. Winter Sleep nunca deixa de ser duro, uma quase contradição com a beleza e apuro com que Ceylan filma esse microcosmo tão específico. Um filme de peso, ainda que excessivamente demorado.


Permanência (Idem, Brasil, 2014)
Dir: Leonardo Lacca 


 
Permanência é muito eficiente em estabelecer um clima, mas é uma pena que esbarre na sua própria intenção. O filme busca captar uma sensação de desconforto, permeado por um desejo latente de duas pessoas, impedidos pelas circunstâncias. Ao mesmo tempo em que isso é o propósito do filme, é também o que deixa a história no mesmo tom, pouco avança nos conflitos dos personagens.

Ivo (Irandhir Santos) é um fotógrafo pernambucano que viaja a São Paulo para sua primeira exposição solo numa galeria. Fica hospedado na casa de sua ex-mulher, Rita (Rita Carelli), já casada com outro homem (Silvio Restiffe). Há suspeita de uma término mal resolvido entre Rita e Ivo. O passado não os deixa em paz.

De fato, há uma sintonia evidente entre os dois protagonistas, algo de atração e repulsa que mexe com seus sentimentos, reavive impulsos adormecidos. Mas se logo nos primeiros dez minutos de projeção, quando eles se reencontram, essa inquietude se instaura, pouca coisa o filme consegue construir para além disso. É uma narrativa toda anticlimática.

Resta a Ivo respirar o ar de uma cidade pulsante e mecanizada, começa um caso fortuito com uma mocinha bonita que trabalha na galeria e ainda tem de se confrontar com o pai distante que lhe teve fora do casamento. Mas nada disso torna-se uma grande questão, uma rede de conflitos que se amontoam e pesam. É um terreno parcimonioso esse em que o filme prefere se movimentar, modesto demais talvez.

Não deixa de ser bem articulada a forma como Leonardo Lacca, à frente de um primeiro longa-metragem, estabelece essas relações com muito cuidado e atenção aos personagens. Mas também não deixa de haver certo maneirismo nas atuações que se esforçam em deixar evidente essa sensação de desconforto, escorregando para um tom meio forçoso, demarcado demais. Permanência é esse filme (sobre gente) que vacila.


Filha (Dukhtar, Paquistão, 2014)
Dir: Afia Nathaniel 


A história já não é das mais instigantes: garota pequena é obrigada a se casar com um velho líder de um grupo extremista no Paquistão. É o velho tema dos casamentos arranjados que ganha um ar de thriller aqui porque a mãe da garota logo foge com a garota para impedir tal absurdo (embora seja ato comum em países árabes). O filme, então, torna-se um road movie involuntário.

Mas Filha é negativo em vários aspectos: roteiro rocambolesco, texto fraco e expositivo, abusa do maniqueísmo e tem atores fraquíssimos que não conseguem dar nuances a personagens já convencionais por si só.

A diretora Afia Nathaniel, sua estreia no longa-metragem, filma da forma mais banal possível, apostando no senso de urgência que a fuga provoca, mas querendo sempre aliviar a barra de suas protagonistas (a cena final é desastrosa nesse sentido). Curioso que no meio de todo o perigo elas encontram e se afeiçoam a um rapaz que dirige uma caminhonete toda enfeitada de bugigangas cor-de-rosa, elemento kitsch que injeta certa estranheza naquela correria. 

Há também a convencional opção em contrapor a dureza da vida e do destino daquela garota com a ingenuidade e fantasia do mundo infantil, uma espécie de batalha do bem contra o mal defendida pela própria narrativa que já escolheu o lado vencedor. O resultado só poderia ser rasteiro e piegas.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Mostra SP – Parte I



Dois Dias, Uma Noite
(Deux Jours, Une Nuit, Bélgica/França/Itália, 2014)
Dir : Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne 


A escrita fílmica que os irmãos Dardenne construíram em sua carreira parece cada vez mais sólida. E pelo visto eles estão longe de querer fugir dessa zona de conforto. Câmera trêmula filmando as pessoas de perto, situações-limite, personagens em movimento constante, apego ao plano-sequência, questões de cunho social – aqui financeiro e trabalhista – como mola propulsora da narrativa, realismo de urgência.

Tudo isso está em Dois Dias, Uma Noite. Se o filme transparece tão concisamente uma sensação de dèjá vu na encenação, é compreensível exigir mais do roteiro, talvez aí uma fragilidade do filme. De perto, há algo de maneirista na forma como a protagonista busca reverter sua situação na iminência de perder o emprego. Há algo de calculado no desdobrar das situações que parecem estar ali para reforçar a crítica social que se quer tecer.  

Sandra (Marion Cotillard) começa o filme sendo demitida do emprego. Por pressão de seu supervisor, os colegas de trabalho votaram para que ela saísse em troca de uma bonificação financeira para cada um deles. Agora, o trabalho de Hércules de Sandra é tentar convencer os colegas, um a um, numa nova votação, a abrirem mão da grana para que ela continue no emprego.

Essa é uma forma inteligente dos Dardennes apertarem a ferida da crise financeira europeia. É no confronto de Sandra com seus colegas que a situação ganha dimensões palpáveis porque cada um deles, assim como ela, enfrenta problemas diários, têm contas a pagar e estão com a corda no pescoço. Por mais que o dispositivo narrativo soe repetitivo, o filme nos faz torcer por essa mulher impelida a agir em prol do sustento do seu lar.

E é difícil negar como Cotillard é o grande trunfo aqui. Curioso pensar nela como a força do filme quando sua personagem marca-se justamente pela fragilidade, quase que obrigada pelo marido (Fabrizio Rongione) a ir à luta. Carrega um histórico de depressão sugerido pelo filme e junta força nos remédios para seguir sua jornada.

Daí que não basta o problema que é ter de convencer a todos, há ainda o conflito interno de se dispor a empreender aquela jornada. A protagonista é posta em ação desenfreada, o tempo a seu desfavor. Tudo isso para que Sandra, ao fim, reforce sua dignidade. É mais uma protagonista dardenniana torta, mas pulsante, ainda que sob a força cruel das circunstâncias.


Leviatã (Leviathan, Rússia, 2014)
Dir: Andrey Zvyagintsev 


De dureza parece viver uma parte do cinema russo recente. Leviatã é mais um exemplar de porrada bem dada no espectador – podemos pensar aqui nos trabalhos-pancada de um Sergei Loznista, por exemplo. O filme de Zvyagintsev, prêmio de roteiro no último Festival de Cannes, é uma das sensações da Mostra, rígido e bravio tal qual a própria região onde os personagens circulam.

O mecânico Nikolai (Aleksey Serebryakov) vive com sua família numa região ao norte da Rússia, lugar que o prefeito da cidade (Roman Madyanov) quer desapropriar para ficar com o terreno. Mas não se engane pensando que o que se trava aqui é um luta de desiguais, o poder público contra o morador coitado. Nikolai, assim como sua esposa e filho pequeno, são de uma brutalidade imensa, vivem uma espécie de relação de amor e ódio, alteram a voz quando bem entendem, se enfrentam o tempo todo.

É aí que o embate com a administração pública se dá de forma a mais calorosa possível, o grito e a violência parecem ser o meio mais apropriado para resolver os conflitos. Soa tão naturais para aqueles personagens agir assim que exala daí um senso de humor curioso em alguns diálogos, mas nada que desvie a atenção da natureza brutal da história.

Certamente que as representações do Estado e sua soberania autoproclamada trata de esmagar quem estiver atrapalhando o caminho. Aqui, instituições como a justiça e religião marcam presença forte como norteadores do destino das pessoas, com sua moral oblíqua a serviço dos mais poderosos.

Nikolai, mesmo repleto de defeitos, é a pedra no sapato que se torna a vítima oprimida, ainda que ninguém use (ou queira usar) a máscara da inocência. Os desdobramentos para seu “desalojamento” complicam a vida de todos ao redor. Zvyagintsev filma com rigor e precisão não só esses embates, como também a natureza inóspita que parece observar o implacável choque de força dos homens.


A Moça e os Médicos (Tirez la Langue, Mademoiselle, França, 2013) 
Dir: Axelle Ropert


Dois irmãos que se apaixonam pela bela mãe de uma paciente infantil. O mote de A Moça e os Médicos é bastante simples, um drama romântico muito bem equilibrado em suas nuances narrativas. Nem pesa a mão no drama aterrador, nem se deixa levar pelo tom piegas das paixões conflituosas.

Há algo no ritmo do filme que parece conduzir a história com muita leveza. Sequências rápidas, diálogos afiados, mas nunca intelectualizados demais, decupagem precisa. Axelle Ropert tem uma noção de ritmo muito pertinente para uma história que, para além do conflito de seus protagonistas, tem um cuidado muito grande pelos detalhes do cotidiano.  

Boris (Cédric Kahn) e Dimitri (Laurent Stocker) trabalham juntos e atendem os pacientes a domicílio. São muito ligados e confidentes. Isso complica mais uma relação sólida que estremece com a entrada em cena dessa mulher que faz as vezes de femme fatale (Louise Bourgoin), ainda que modesta. Delicadíssimo e sem nunca forçar a barra, A Moça e os Médicos faz jus à ao melhor das histórias de triângulo amoroso, com boas doses de sutileza e carinho por seus personagens.

domingo, 19 de outubro de 2014

38ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo


Caí de paraquedas no meio da maratona da 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e fico aqui alguns dias. A av. Paulista torna-se nosso território. Filmes para todos os lados, correria, filas, gente que compartilha da mesma paixão pelo cinema e amigos que só encontramos em eventos assim.

Dentre os filmes, muitas coisas interessantes que fazem a gente salivar e mesmo lamentar de não ter condições de ver tudo que se queria. É impossível. Então, nos resta nos arvorar pelo possível, pelo que mais atrai, aguçando o faro para os bons filmes e também apostando na sorte.

Na medida do possível, tentarei escrever rapidamente sobre os filmes vistos aqui. A Mostra SP já começou.

sábado, 18 de outubro de 2014

Mostra Cinema Conquista: Ranking geral


Não consegui escrever sobre todos os filmes da Mostra Cinema Conquista que acabou de acabar. Mas há de destacar um punhado de ótimos filmes que foram exibidos este ano, reflexo de uma produção nacional sempre muito diversa e curiosa.

O saldo foi positivo nas escolhas dos longas e curtas-metragens exibidos, mas também nas boas discussões e debates que foram travados nesses dias de olhar aguçado ao cinema.

Pecado foi a escolha do Centro de Convenções Divaldo Franco para sediar as principais exibições. Ora quente ora frio, com péssima acústica, ali muitos filmes foram prejudicados. Mas teve quem se arvorou na maratona e aproveitou a oportunidade de ver obras que não chegariam na cidade de outra forma.

Abaixo, meu ranking de filmes, por ordem de preferência:


Longas –metragens

Tatuagem ****
Educação Sentimental ****
Quando Eu Era Vivo ****
O Homem das Multidões ***½
A História da Eternidade ***½
Depois da Chuva ***½
Olho Nu ***½
De Menor ***½
Revoada ***
Praia do Futuro **½
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho **½
Eu Não Faço a Menor Ideia do que Eu Tô Fazendo com a Minha Vida **½
Riocorrente **
O Mercado de Notícias **
A Doce Flauta da Liberdade **
O Imaginário de Juraci Dórea no Sertão Veredas **


Curtas-metragens

Contos da Maré ****
A Onda Traz, o Vento Leva ****
Animador ****
Parque Soviético ****Em Trânsito ****
Sanã ****
Quinze ***½
A que Deve a Honra da Ilustre Visita Este Simples Marquês? ***½
Meu Pai Cantô ***
Reviramundo ***
Tremor ***
Macacos Me Mordam ***
História Natural **½
Terno **½
A Anti-Performance **½
Noite **½
Carranca **
Mundo Incrível Remix **
Coice no Peito **
Etílico *½
 

Mostra Cinema Conquista – Parte IV



Quando Eu Era Vivo (Idem, Brasil, 2014) 
Dir: Marco Dutra



 
É fato que o cinema brasileiro hoje tem uma predisposição para o filme de gênero. O terror tem despontado em algumas produções recentes, mas é muito interessante acompanhar a trajetória de um cineasta como Marco Dutra (e também Juliana Rojas, que assina a montagem aqui, parceiros de criação) e sua incursão pelo filme de suspense/horror, seja no longa de estreia dele com a Rojas, Trabalhar Cansa, e nos diversos curtas que fizeram antes.

Dutra está longe de ser um mero apaixonado pelo gênero com vontade de só reprocessar, à brasileira, os elementos batidos dos filmes de horror, tipo de ação fetichista que tem mais prazer em cuspir referências na tela do que construir algo consistente em termos de narrativa. A abordagem do diretor tem algo de anticlimático, de criação de atmosfera, com uma pitada de crítica social e de classes numa sociedade brasileira em transformação.

Quando Eu Era Vivo talvez seja muito mais pessoal, um trabalho de adaptação (em parceria com Gabriela Amaral Almeida) muito livre do romance A Arte de Produzir Efeito Sem Causa, de Lourenço Mutarelli. Enquanto o livro trazia muito mais da insanidade do protagonista e a estranheza de seu comportamento, o filme injeta mais suspense nos descaminhos de um homem mentalmente perturbado, num processo de piração que esconde algo de macabro.

Júnior (Marat Descartes) foi abandonado pela mulher e vai para a casa do pai (Antônio Fagundes), que aluga um quarto para a jovem estudante de música Bruna (Sandy Leah). O irmão dele é interno num manicômio. Revirando os pertences antigos da velha casa, ele descobre objetos estranhos da mãe já falecida e fitas de vídeo em que ela experimentava com os dois filhos rituais de ocultismo.

A caracterização de Marat é acertada na sua persona que exala esquisitice, na iminência da loucura. Nesse sentido é curioso como o filme usa e desconstrói espertamente as figuras de Sandy e Fagundes. A garota virginal surge mais arisca, mais segura de si (apesar de não ser uma grande atuação), enquanto Fagundes dissocia-se da imagem de galã de novela para viver um pai que vai tomando consciência de que algo está errado com seu filho.

É angustiante estar preso àquele apartamento (poucas vezes o filme sai dali, como na sequência em que pai e filho visitam o irmão louco). A forma como a própria casa parece ser tomada de obscurantismo, encabeçada pela angústia do protagonista em desenterrar fantasmas do passado, cooptando outro personagem na sua obstinação, já garante boas doses de pavor no espectador. E essa sensação só vai crescendo, culminando num final nada óbvio, bizarro por si só, apreensivo. É a melhor das sensações para um genuíno filme de horror.


Praia do Futuro (Idem, Brasil/Alemanha, 2014) 
Dir: Karim Aïnouz



 
Com exceção do personagem explosivo de Madame Satã, todos os protagonistas seguintes dos filmes de Karim Aïnouz têm muito em comum. São pessoas melancólicas, angustiadas com sua atual situação, aprisionadas por sentimentos controversos, postas à prova pela vida ingrata que lhes machuca e lhes causa certa inadequação de estar no mundo (ou no seu “mundinho”). E é por isso que todos eles buscam uma forma de fuga.

É um terreno muito arenoso esse que o diretor escolhe para desenvolver os conflitos de seus personagens porque muitas vezes eles são de difícil apreensão. Praia do Futuro sofre muito com isso, na maneira como nem sempre consegue dar a dimensão exata do que está em jogo para aquelas pessoas, exceto aquele que aparece na terça parte do filme.

O salva-vidas Donato (Wagner Moura) falha ao impedir que o amigo de Konrad (Clemens Schick) seja engolido pelas águas turbulentas da praia do Futuro, em Fortaleza. No entanto, ele estreita relações com Konrad e logo passam a viver um relacionamento amoroso tórrido, embora não necessariamente sólido.

É aí que o filme revela tipos que sofrem uma confusão latente de sentimentos. É difícil entender o que move os personagens, o que eles sentem de fato, muito porque nem eles mesmos parecem saber exatamente como definir isso e como lidar com essas questões. Praia do Futuro investe na introspecção e observa, vagarosamente, como aqueles homens vão seguindo, mesmo que tropeçando pelo caminho e por sobre seus próprios sentimentos. Escondem-se de si e buscam maneiras de se completarem e se entenderem na presença um do outro, mesmo que daí saiam algumas faíscas.

A opção de se mudar para a Alemanha com Konrad surge para Donato como forma de se afastar de uma rotina que não lhe satisfaz, não lhe oferece segurança e que não lhe oferece o ambiente mais propício para assumir seus desejos. A ideia de desterritorialização é uma marca muito forte no cinema de Aïnouz. Seus personagens vivem em trânsito e a casa onde sempre viveram não é mais um lugar de conforto. Estar longe dela é uma maneira de libertação, ainda que os fantasmas pessoais continuem a assombrar e perseguir.

Mas esse afastamento também deixa marcas, especialmente nos que ficam. Donato vai ter de lidar com o irmão (Jesuíta Barbosa, em fase adulta) que chega para lhe cobrar uma posição sobre a família. É o personagem mais bem desenhado do filme, carrega no rosto uma ira por ter sido preterido pelo irmão mais velho tempos atrás. Não à toa uma das melhores cenas do longa está no reencontro dos dois, um belo momento que equilibra agressão e afeto. O personagem de Barbosa, mesmo que a seu modo rude, passa então a habitar esse universo nebuloso em que o irmão e Konrad vivem.

Praia do Futuro é um filme sensível, busca no silêncio e nos olhares de seus atores a revelação dos desejos humanos, mas parece ter uma dificuldade em comunicar para o espectador essa interioridade tão difícil de apreender, soa moroso muitas vezes. Resolve-se melhor quando revela de cara a vulnerabilidade de seus personagens, perdidos, indefinidos, tentando entender a si e o que acontece ao seu redor.


Depois da Chuva (Idem, Brasil, 2013)
Dir: Cláudio Marques e Marília Hughes



“Sejamos realistas, façamos o impossível”, diz o protagonista Caio já no início do filme. Não há como não pensar na eterna frase “Abaixo a gravidade”, perpetuada no clássico media-metragem baiano SuperOutro, de Edgard Navarro. A anarquia e a vontade de enfrentamento estão presentes em ambas as falas, espírito esse que é mola propulsora de Depois da Chuva.

E de seus jovens protagonistas também. Caio e Nanda (Pedro Maia e Sophia Corral) são adolescentes de classe média que estudam juntos num colégio da Salvador dos anos 80. Mais precisamente no momento das Diretas Já, quando o Brasil deixa pra trás a Ditadura e começa seu processo de redemocratização e abertura política através da implementação da democracia.

E é muito importante pensar no filme como retrato de uma época que foi essencial para forjar o que se tem hoje no Brasil em termos de sistema político. A cena final, carregada de pessimismo, obriga o espectador a pensar na vida política do presente. Daí que não é mero clichê dizer que Depois da Chuva é um filme atual ou, antes disso, que seja tão revelador sobre o nosso tempo.

Mas embora marcado pelo traço do político, é também um filme sobre os ritos de passagem da adolescência. Caio vive o primeiro amor com Nanda, entra em conflito com a mãe e sente falta do pai divorciado com quem fala raramente ao telefone. Parece um terreno muito arriscado, pois é o tipo de filme que pode facilmente cair no tom mais panfletário, impostado e rasteiro, seja no discurso político, seja no âmbito mais intimista.

Pois é muito bom ver que Cláudio Marques e Marília Hughes vão driblando cada um desses possíveis lugares-comuns. Tudo surge e evolui com uma naturalidade que deve muito a um texto verdadeiro, enxuto, ancorado num elenco que funciona exemplarmente bem num filme tão à vontade nas questões que mobiliza. Algumas cenas, no entanto, demoram-se demais numa estética de tempo marcadamente alongado (traço que reverbera filmes como Amantes Constantes e os da fase mais autoral de Gus Van Sant). Essa preferência cria um universo muito próprio ao filme, mas em certos momentos prende o ritmo da narrativa.

Mesmo assim, Depois da Chuva é um filme pulsante. O punk rock da trilha sonora não está ali por mero capricho, por fazer parte da cultura underground dessa Salvador pré-axé music. Ele traduz muito bem o próprio espírito inspirador de luta, de embate, via vontade jovem de mudar o mundo. E o roteiro encontra no movimento da criação e eleição de um grêmio estudantil no colégio de Pedro o microcosmo perfeito para pensar esse período de mudanças no Brasil. 

O filme acompanha a passagem política do país a partir de uma transição que se dá nesse pequeno espaço de disputas políticas e individuais por onde Caio trafega. É por onde ele também tropeça, arrisca, aprende, decepciona-se, mas que ajudou a moldar esse Brasil que vivemos hoje.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Mostra Cinema Conquista – Parte III



O Mercado de Notícias
(Idem, Brasil, 2014)
Dir: Jorge Furtado 

Muito se discute sobre a qualidade do jornalismo brasileiro e os vários meandros que se entrelaçam na construção do quarto poder (em tempos de eleições acaloradas a coisa se complica mais ainda). É um tema espinhoso, que envolve mais do que a mera transmissão da informação para a sociedade em geral. Fala-se sobre a idoneidade dos veículos e dos vieses que se emaranham pelo discurso jornalístico.

Há de se dizer que esse universo de construção midiática via informação jornalística é mais complexo do que sonha nossa vã filosofia. O Mercado de Notícias toca em uma serie de questões importantes para se entender o jornalismo que se faz e se consome atualmente no Brasil. Intercala uma série de depoimentos de jornalistas da mídia nacional com a encenação de uma peça de teatro que intitula o filme. No entanto, o documentário está bem aquém de trazer uma discussão aprofundada e marcante como tenta transparecer.

Há alguns desvios colocados pelo filme, na pessoa do próprio diretor Jorge Furtado, que aparece em cena. Na reunião com a trupe teatral, ele diz que no documentário tudo pode acontecer, os rumos tomados são imprevisíveis. É uma deixa para se pensar num filme de investigação, ainda mais com o tema escolhido.

A questão é que O Mercado de Notícias já sabe aonde quer chegar, já tem suas teses mais ou menos prontas e bem delineadas. Primeiro porque quase não há nada de novo no que se diz ali: o jornalismo nutre laços estreitos com a publicidade e as ideologias dos partidos político, a relação com as fontes é dúbia e, principalmente, o mundo monetário rege muita coisa que se produz como jornalismo. Até aqui nada de novo no front.

Ademais, os rumos da conversa partem dos direcionamentos que o próprio Furtado dá, muito confortavelmente naquilo que ele deseja discutir. O caso mais emblemático é o do Picasso da Folha de São Paulo, erro crasso cometido numa matéria que afirmava haver, no INSS de Brasília, uma obra autêntica do pintor Pablo Picasso, quando, na verdade, tratava-se somente de uma reprodução autografada.

Exemplo risível e absurdo de nosso jornalismo. Quando se mostra isso no filme para os entrevistados, o que eles acham? Que é risível e um absurdo. Mais uma vez, a coisa parece prevista para os fins que se quer alcançar. Curioso também o fato de Furtado anunciar que aqueles jornalistas ali reunidos são seus “amigos”, gente com quem ele tem contato e aprecia o trabalho. Bate impressão forte de algo devidamente calculado e menos de investigação de fato. Papo de compadres.

A peça teatral homônima, escrita pelo inglês Bem Jonson em 1625, é encenada aqui para intercalar os depoimentos padrão dos documentários. É um achado por ser tão antiga e ainda assim ácida sobre o jornalismo que se pratica hoje. Porém, não deixa de ser alegórica e por vezes simplista sobre a relação jornalismo-dinheiro. E vá lá, nem é bem encenada assim. Em termos de experimentação de linguagem e provocação, Furtado já foi bem mais bem-sucedido antes.



A História da Eternidade (Idem, Brasil, 2014)
Dir: Camilo Cavalcante 


A poesia bruta do sertão explorada mais uma vez. Camilo Cavalcante passeia pelos tipos que já foram largamente utilizados nessa ambiência: garota de família patriarcal tem sonho pulsante em conhecer o mar; o tio, um artista incompreendido, o pai, um bruto; em outros núcleos, há ainda o neto que retorna à terra natal, para alegria da avó, e o sanfoneiro cego que clama o amor de uma mulher em luto pela morte do filho pequeno.

São histórias que se entrecruzam na paisagem árida do interior nordestino, com suas regras e morais instituídas. Chega a ser um risco manipular velhos temas e tipos batidos desse ambiente já tão exposto nas artes em geral. O que sustenta o filme é a direção segura de Cavalcante, sua estreia no longa-metragem depois de um extenso trabalho com curtas.

A paisagem interiorana ganha um tratamento que segue um fluxo de tempo muito próprio, calmo, ainda que as questões que movam os personagens vão crescendo em intensidade. Nuances de viés mais proibidos (como a atração da sobrinha pelo tio, ou da avó pelo neto) ou mesmo pondo em xeque a moral de seus personagens (o neto que volta fugindo de encrenca na cidade grande) surgem para complexificar as relações daquelas pessoas entre si, também no contexto de vida em que se encontram.

Nesses embates, o longa beneficia-se de um time de atores de primeira. Marcélia Cartaxo e Zezita Matos personificam muito bem essas mulheres fortes do interior, uma que nega o amor em prol do luto, outra com o coração balançado pela descoberta de um neto não tão pródigo assim. Mas o destaque mesmo vai para um Irandhir Santos radiante, frágil pela epilepsia que lhe acomete, mas cheio de vigor por conta de sua condição de artista maldito e contestador num ambiente desfavorável.

Duas cenas suas se destacam: quando performatiza, na rua, uma canção dos Secos e Molhados; e aquela em que ele “apresenta” à sobrinha o mar. Em ambas as sequências, a câmera em travelling circular parece hipnotizada pela disposição e olhar poético daquele homem. 

É o respiro que o filme permite em contraponto à dureza de uma vida severina; há arte ali. É esse tipo de olhar aguçado para a poética das paixões em meio à coisa bruta que Calvalcante explora tão bem. Nota-se nele um cineasta consciente do seu poder de encenação, ainda que seus temas não sejam assim dos mais originais.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Mostra Cinema Conquista – Parte II



Riocorrente (Idem, Brasil, 2013)
Dir: Paulo Sacramento 




É muito pertinente ver num filme brasileiro uma vontade tão grande de registrar e dar conta da sensação de morar numa grande cidade de um país tão desigual como o Brasil.
Riocorrente busca fazer um retrato impetuoso dessa cidade cão que São Paulo pode ser, num filme que nos chega sob a marca do simbolismo, exalando brutalidade a cada cena. Por isso é uma pena enorme que uma proposta tão corajosa emperre num problema grave de roteiro: falta história e faltam personagens.

Os tipos quase marginais que Sacramento escolhe para guiar sua narrativa são cheios de inquietações e vibrações, mas é muito difícil dimensioná-los no filme. Renata (Simone Iliescu) divide-se num relacionamento com seu namorado Marcelo (Roberto Audio) e com o mecânico Carlos (Lee Taylor). Esse último, por sua vez, possui uma proximidade quase paternal com o menino de rua Exu (Vinicius dos Anjos), a marginalidade estampada em sua feição dura. Todos sujeitos à vibração esmagadora de São Paulo.

Sacramento apresenta uma condução curiosa na forma como cria uma série de metáforas visuais para representar a ebulição da cidade. Riocorrente rege-se pelo signo do fogo, elemento presente em várias cenas (a do carro incendiado em disparada na estrada é uma das imagens mais fortes do filme em termos simbólicos). A iminência da combustão parece guiar esses personagens, em especial Marcelo e sua agressividade latente.

O problema é quando toda essa vontade de mostrar a cara bruta da cidade esbarra num mero preciosismo simbólico de cenas que gritam a “força” do filme. E todo o decorrer da história parece exercitar o mesmo dispositivo simbólico, tornando a narrativa morosamente redundante.

É difícil entender, se importar ou acreditar naquelas pessoas que se machucam, às vezes de forma a mais gratuita possível. Parecem reféns de um estado de coisas socialmente conturbadas, mas tudo que o filme nos dá são possibilidades muito abertas de interpretação.

Certamente este não é um filme clássico de personagens realistas e bem aparados, mas o filme acaba ruminando o tempo todo as mesmas questões e não parece haver consistência nos atos e comportamentos daquelas pessoas. O filme termina e não se sabe ao certo aonde quer chegar.


Tatuagem (Idem, Brasil, 2013) 
Dir: Hilton Lacerda


 
Vem de Pernambuco mais um belo exemplar de cinema com personalidade. Hilton Lacerda, à frente de seu primeiro longa-metragem de ficção depois de um logo trabalho como roteirista nos filmes do conterrâneo Cláudio Assis, chega com um filme que faz alarde, mas cercado de afetos.

Tatuagem vem (e vence) pela marca do escracho. Logo em um dos primeiros números apresentados pela trupe de teatro Chão de Estrelas, um dos personagens diz que “nossa arma é o deboche”. É a dica para que encaremos com muito bom humor e anarquismo contestador as apresentações do grupo, cheios de um subtexto (pan)sexual – e por isso político.

Clécio (Irandhir Santos) é o líder do grupo que batalha para continuar mantendo de pé o seu ganha-pão com os poucos recursos de que dispõe, e ainda tendo de enfrentar a censura militar em fins dos anos 1970. Um dos grandes acertos de Larceda é nunca transformar seu filme numa mera bandeira contra os ditames da Ditadura, mas antes em dar relevância a um tipo de comportamento duramente oprimido, inclusive socialmente.

O romance que vai surgir entre o protagonista e o soldado Fininha (Jesuíta Barbosa), cunhado do melhor amigo de Clécio, o espalhafatoso Paulete (Rodrigo Garcia), já dá conta de contrapor lados que se chocam, mas ganhando nuances mais picantes aqui. É, portanto, um filme que clama por liberdade, artística e sexual, via comportamentos que desafiam a moral vigente. Lacerda conduz com muita delicadeza o que está na esfera dos sentimentos, e as pessoas que se reúnem em torno do grupo não deixam de formar uma bela e desordenada família, apesar das desavenças que surgem em certos momentos.

Desprovido de todo moralismo, o filme navega pelo âmbito do questionamento de valores e hipocrisias sociais. A Polka do Cu, canção-desbunde cujo número é apresentado na parte final (e deflagrador de consequências duras), é um desses momentos não só carregado de coragens e escracho, mas que representa muito bem uma visão de mundo que aquelas pessoas (e o filme) compartilham harmoniosamente.

Há de se destacar um cuidado muito conceitual na textura do filme vinda de uma fotografia em tons granulados que denunciam a época passada (quase como um registro nostálgico) e também um momento ainda opressor, apesar da alegria que aquele grupo quer propagar com seus espetáculos. A trilha sonora, uma feliz parceria com DJ Dolores, é outra marca que faz a ponte do filme com o gênero musical, porém de forma muito pessoal. 

Dos trabalhos que roteirizou para Cláudio Assis, Lacerda mantém a veia contestadora, de tons anárquicos que afrontam o mais tacanho dos moralismos. Mas Tatuagem é também dotado de um lirismo e carinho por seus personagens que o coloca bem longe daquilo que Assis já dirigiu (com exceção, talvez, do mais poético A Febre do Rato). Nesse equilíbrio de atmosferas, Larceda acrescenta mais uma peça na filmografia pernambucana recente que faz o cinema nacional pulsar, contestadora e afetuosamente.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Mostra Cinema Conquista – Parte I


Reviramundo (Idem, Brasil, 2004)
Dir: Glauber Lacerda


Na primeira cena de Reviramundo, Geraldo Sarno se recusa a repetir à equipe do filme um certo depoimento, ao que o diretor Glauber Lacerda, atrás das câmeras, compara sua atitude com uma das entrevistadas de Sarno em seu Viva Cariri! (1970). Corte para a cena do exato momento em que isso se dá no curta. Essa primeira sequência de Reviramundo é ao mesmo tempo um despiste e uma apresentação do próprio dispositivo da narrativa: homem e obra não se separam.



É essa figura aparentemente ranzinza – ainda que sorridente – que vai se relevar o cineasta consciente de sua obra, o profissional gentil que sabe refletir sobre o seu tempo e, principalmente, o homem que relembra, in loco, suas origens. O retorno de Sarno à cidade natal de Poções, no interior da Bahia, é o mote desse filme que faz valer um retrato interessante de uma figura tão proeminente da cultura cinematográfica brasileira, e menos uma mera homenagem com tom de adoração.

A obra de Sarno está presente aqui nas várias cenas de seus filmes– alguns raros –, intercaladas com as memórias e depoimentos do cineasta. E é dessa contraposição que Reviramundo se alimenta para se construir como narrativa.

Por vezes o ritmo do filme balanceia, as conversas tomam rumos diversos e as imagens documentais vacilam. No final, os letreiros dos créditos aparecem quando Sarno ainda tem mais a dizer, acaba abruptamente. Glauber Lacerda, em seu curta-metragem de estreia, não parece esconder a admiração por Sarno. Talvez por isso sua trajetória se aperte num curta que não quer acabar, a voz de Sarno insiste em continuar na ativa. Que assim permaneça.


Revoada (Idem, Brasil, 2014) 
Dir: José Umberto Dias


Foi um processo árduo para que José Umberto Dias pudesse terminar seu longa-metragem a contento. Revoada é um olhar pessoal para o universo sertanejo do cangaço e seus elementos míticos. O filme abriu a Mostra Cinema Conquista e trouxe para a tela do Centro de Convenções Divaldo Franco um frescor narrativo muito bem-vindo a esse tipo de história.

O filme segue um grupo de cangaceiros a partir do dia em que Lampião e seu séquito são mortos. É a tragédia anunciada que decreta o começo do fim de uma era de banditismo e resistência no cangaço. Os remanescentes encontram-se, então, no dilema entre fugir ou se entregar para os milicos.

A escolha de José Umberto é menos fazer um apanhado de cunho histórico e mais uma alegoria visceral, ainda que o filme permaneça num mesmo tom até o fim. Corisco e Dadá, os mais fieis seguidores de Lampião, sobreviventes da chacina que matou o líder, surgem diluídos em outros personagens, nunca explicitamente nomeados.

Mas são suas figuras de resistência e destemor que perpassam pelos tipos de cangaceiros que cruzam a narrativa. Uma pena que ela se acomode nesse viés apocalíptico, com ênfase na urgência e dureza de atitudes que a situação exige, e permaneça sempre no mesmo tom, até o fim.

O filme, então, chama mais atenção pelo vigor estético, longe de uma construção classicista. Seria mesmo um lugar-comum evocar aqui um tom cinemanovista, especialmente com ecos do Glauber Rocha mais irado, do Ruy Guerra mais visceral, mas de fato é uma impressão forte que se tem vendo o filme. Há algo de potente nessa narrativa, via cortes rápidos e secos, diálogos sobrepostos e câmera em movimentos bruscos. 

É certo que por vezes esse frenesi esconde certo atropelar de cenas e situações, fazendo o filme merecer uma revisão para atestar seu vigor consciente (e um áudio melhor que o ouvido na sessão de abertura). Ainda assim, é muito bom ver uma representação de sertão que não seja somente o da seca e do sol castigador, com os mesmos tipos reprocessados. E que também se disponha a uma liberdade criativa que põe atento o espectador.

domingo, 12 de outubro de 2014

Mostra Cinema Conquista – Ano 10


Começa hoje mais uma maratona de cinema em Vitória da Conquista, a 10ª de uma mostra que eu acompanho com tanto carinho e animação. É hora de ver (e rever) filmes, pensar e discutir cinema, encontrar gente boa e passar um pouco de frio.

Momento também de lembrar João Carlos Sampaio, homenageado na mostra, crítico apaixonado pelo cinema, morto no início deste ano. O veterano cineasta baiano Geraldo Sarno também recebe homenagem aqui.

A programação de filmes tá uma beleza, reflexo de uma produção interessantíssima do cinema nacional recente. Além disso, há encontro com os realizadores, debates, oficinas, cursos, conferências, tudo com o intuito de promover a reflexão sobre a sétima arte. Mais informações aqui no site. Toda a programação é gratuita.

Estarei acompanhando e escrevendo (ou revisando textos) sobre os filmes da programação. Faço também uma cobertura mais geral no jornal A Tarde, a primeira matéria já tá no ar. A abertura acontece hoje à noite, às 19h, no Centro de Convenções Divaldo Franco. Perde isso não.