O
Pesadelo – Paralisia do Sono (The Nightmare, EUA, 2015)
Dir:
Rodney Ascher
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O
filme traz uma série de depoimentos de pessoas que sofrem de um sério distúrbio
de sono: elas acordam no meio da noite, mas não conseguem se mover, como se o
corpo físico ainda estivesse em estado de sonolência, apesar da consciência
estar ativa; além disso, passam a ter alucinações, geralmente envolvendo vultos
ou seres que parecem estar presentes no ambiente em que elas estão "dormindo".
Há
de fato uma vontade do filme em transformar esses relatos em algo mais
assustador do que eles já são através de um tipo de dramatização frouxa que
busca assustar com efeitos especiais fajutos e tiques grosseiros de filmes de
terror. Mas o pior mesmo é quando os depoimentos parecem repetir o mesmo tipo
de experiência com diversas pessoas, o que impede que o filme avance, amplie-se
e adentre aquele universo tão estranho.
Mia
Madre
(Idem, Itália/França, 2015)
Dir:
Nanni Moretti
Bem
ao estilo sutil de Nanni Moretti, Mia
Madre é tudo que se poderia esperar do tratamento singelo e maduro do
cineasta italiano. O filme tem o cuidado de nunca soar piegas e choroso, ainda
que seja naturalmente emocional pela história que conta.
É
menos um conto sobre o luto – Moretti já fez esse filme antes, trata-se do
maravilhoso O Quarto do Filho – e mais sobre a confusão mental de uma mulher
que chega à razão de que sua mãe, já debilitada de saúde, está prestes a
morrer. Ela é Margherita (Margherita Buy), uma cineasta renomada, mulher
solteira, envolta na produção de um novo trabalho.
A
personagem divide-se entre as preparações do novo filme e os encontros com a
mãe, também na companhia do irmão (vivido pelo próprio Moretti). Mas o filme
guarda um inesperado alívio cômico: Barry Huggins, ator americano que chega
para filmar com Margherita, interpretado por um impagável John Turturro.
Ele
é dono de ótimos momentos quando faz a cineasta perder a paciência diante da
sua dificuldade de decorar as falas, a despeito do seu porte de ator de
primeira grandeza. Essa relação só acrescenta mais desgastes emocionais para
ela, ainda que surja dali uma fagulha de alegria e beleza. É uma chispa que brota
inusitadamente de uma história de dor. Mia
Madre celebra não a despedida, mas o caminho de quem permanece.
Paulina (La Patota,
Argentina/Brasil/França, 2015)
Dir:
Santiago Mitre
Paulina começa e parece
que vai enveredar pela já batida história da professora que chega a uma
comunidade do interior para mudar a vida dos alunos. É importante que pouco se diga sobre o enredo do filme porque, em certo momento, a trama muda
completamente de figura e a protagonista, mulher independente e de pulso firme,
precisa confrontar seus próprios princípios diante de uma situação humilhante e
violenta.
Santiago
Mitre conduz com muita segurança uma narrativa que vai e volta no tempo, mas
situa o espectador num turbilhão emocional. Mais que isso, o filme põe a
protagonista numa situação de tal complexidade, a partir das decisões que ela
tem de tomar, que mesmo para ela a coisa toda é um grande desafio – e sua escolha
não é a mais fácil.
O
filme tem a maestria de colocar o espectador num lugar de indecisão sobre que
lado tomar, o que torna Paulina um
caso raro de estudo moral que não está disposto a entregar saídas simples, nem escolher
caminhos confortáveis a se mirar.
Dolores
Fonzi encarna maravilhosamente essa mulher em situação de vulnerabilidade, mas
ainda assim dona de certas convicções. Mas a coloca diante de outro grande
ator: Oscar Martinez, que interpreta o pai da protagonista. Advogado bem-sucedido,
desde o início ele é contrário à ida da filha para o interior por achar que ela
tem à frente uma carreira promissora como jurista. É no embate ideológico entre
os dois que o filme ganha texturas mais complexas e densas, num jogo que também
é emocional, familiar, sem nunca apelar para maniqueísmos.
Apocalipse
Yakuza (Gokudou
Daisensou, Japão, 2015)
Dir:
Takashi Miike
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Não
à toa, uma das questões aqui é a transferência de poderes, o pupilo que precisa
assumir o lugar de seu antigo chefe, um vampirão que mantinha sua verdadeira
identidade escondida. Mas Miike é feliz também por fazer surgir uma série de
personagens excêntricos que entram na briga pelo comando da famosa Yakuza – o vilão
fantasiado de sapo de pelúcia, exímio lutador, é dos mais engraçados e icônicos.
Os efeitos especiais
podem não ser dos melhores, mas até isso contribui para o gosto de filme trash, mais as boas doses de pancadaria,
sangue, morte e destruição elevados a potências altíssimas. Não é muito difícil
deixar de lado as reviravoltas e surpresas de enredo para se
concentrar na insanidade bestial que o filme serve, de bandeja. É mesmo um belo
deleito sanguinário.
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