Os
Exilados Românticos (Los
Exiliados Románticos, Espanha, 2015)
Dir:
Jonás Trueba
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Não há aqui grandes amores impossíveis
ou avassaladores. O tom é sempre ameno, os encontros podem ou não render futuros
casais apaixonados, mas nos deixa ver possibilidades amorosas ali. Interessante
como o filme reserva um tempo para que cada um dos três personagens estabeleça
seu encontro com uma mulher, discuta e ponha em questão seus sentimentos, da
forma mais franca e palpável possível.
Pode ser visto como um filme de três
segmentos distintos, ainda que exista um clima de conjunto que funciona muito
bem numa espécie de road movie
casual. Além da sintonia entre os atores, os diálogos apostam no prosaico, sem
traços de pretensão. Algumas das muitas escolhas musicais podem deixar a
desejar, mas o que vale é o espírito de melancolia e companheirismo que o amor permite e que o
filme capta tão bem.
Grandma (Idem, EUA,
2015)
Dir: Paul Weitz
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Não demora muito para que as personagens
e suas relações conflituosas venham à tona, nem demora muito também
para percebermos o quanto de rancor e desavença existe entre aquelas pessoas.
Mas Grandma faz disso uma narrativa também
hilária, no melhor estilo agridoce. A história avança com precisão e sem pontas
soltas e só perde a força quando aposta no drama mais gritado.
Parece um filme feito para Lily Tomlin
brilhar. Ela encarna magistralmente a avó rabugenta, desbocada e independente, de
difícil trato por conta de uma personalidade forte e explosiva, capaz de
machucar qualquer um com algumas poucas frases ácidas e super sinceras, cospe
na cara de qualquer um verdades evidentes, sem piedade. Esse espírito irascível
já se mostra presente desde a primeira cena quando ela termina o relacionamento
amoroso com a jovem Olivia (Judy Greer) de forma duríssima.
A avó também está mal de dinheiro, mas
para ajudar a neta sai de carro com ela visitando amigos que possam conseguir a
grana de imediato. O filme pode ter uma estrutura convencional, narrativa indie com pitadas de road-movie
que mais vale pelo percurso percorrido e pelas pedradas dadas e recebidas no meio
do caminho do que necessariamente pelo resultado final. O roteiro assinado pelo
diretor Paul Weitz é um grande acerto de precisão e fluidez, com tiradas
impagáveis, sabendo também ser carinhoso com seus personagens
mesmo quando eles não são com os demais.
Rainha do Mundo (Queen of Earth, EUA, 2015)
Dir: Alex Ross Perry
Alex Ross Perry continua em sua inclinação indie-retrô
criando personagens excêntricos em meio a uma atmosfera de fotografia
setentista, o mesmo que vemos no recente Cala a Boca, Philip. Rainha
do Mundo é um tour de força entre duas atrizes, donas de personagens
que se passam a conviver juntas depois que Catherine (Elizabeth Moss) é
abandonada pelo namorado – uma cena inicial ótima.
A outra é sua amiga Virginia (Katherine Waterston), que acolhe a moça em
sua casa de campo. Os dias passam, o verão é ameno, o clima ao redor é de paz e
tranquilidade, mas as farpas surgem entre elas com a mesma facilidade com que
se diz “bom dia”. Esse embate poderia enriquecer uma história que apostasse no
aprofundamento de duas personalidades realmente fortes, mas o resultado parece
o oposto: elas vão se tornando cada vez mais impenetráveis, distantes.
Parece mais interessante à narrativa que os altos e baixos das
personagens surpreendam sempre na próxima atitude a tomar: amigável, agressiva,
irônica, brincalhona? Ross Perry brinca o tempo todo com essas expectativas e
corre o risco de soar muitas vezes vazio, desgastando o filme.
A presença de algumas
figuras masculinas, como o namorado de Virginia, só acrescenta mais alguma
excentricidade nas relações de convivência que o filme apresenta. Se Moss e
Waterston têm muitos momentos para brilhar, juntas e separadas, o filme também
abusa de certos tiques e comportamentos esquisitos, o que enfraquece uma
construção mais potente dessas mulheres que acabam como simples garotas
mimadas.
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