quinta-feira, 2 de maio de 2013

Melhor esquecer


Oblivion (Idem, EUA, 2013)
Dir: Joseph Kosinski


Um homem com uma missão num Planeta Terra totalmente devastado e desolado. Ao lado de sua mulher, eles devem preservar pelos grandes reatores que enviam energia para uma colônia na lua de Saturno onde os sobreviventes da Terra vivem agora, depois que uma invasão alienígena acabou com as possibilidades de existência na Terra. Logo, é para lá que eles devem se dirigir também. Sua única comunicação exterior é com a imagem de uma mulher via computador.

Os contornos da de ficção científica estão todos no novo filme de Tom Cruise (é assim que os projetos em Hollywood costumam ser tratados), misturados aos fatores conspiração e ilusão de realidade, algo que logo virá à tona para os personagens, especialmente quando Jack (Cruise) resgata uma mulher misteriosa (Olga Kurylenko) de uma cápsula. Uma pena que Oblivion esteja muito mais preocupado em reverberar lugares-comuns desse tipo de universo do que caminhar com suas próprias pernas.

A história parece mais interessada em fazer referências a clássicos ou exemplares recentes do gênero (2001 – Uma Odisseia no Espaço, Mad Max, Lunar) do que criar algo necessariamente mais pessoal, uma boa história a se contar. É como se os elementos do gênero já estivessem estabelecidos e o filme não quisesse quebrar nenhum de seus dogmas. Não que necessariamente precisasse disso para fazer um filme no mínimo instigante.

Sobra pouco espaço para boa ação e mais para mensagens que se querem (e no fundo são) bonitinhas, com alguma lição importante sobre a preservação da humanidade. No fundo, é um filme pouco divertido. O maior problema é atirar para muitos lados na sua roupagem de ficção científica com tons conspiratórios, religiosos, metafísicos e futurísticos.

Ainda depõe contra isso o fato do diretor Joseph Kosinski ser também o autor da graphic novel original de que o filme é adaptado, uma espécie de oportunismo se considerarmos a história sem muitos atrativos. Há sempre boas intenções no todo, as cenas de ação são bem orquestradas, embora pouco empolguem, e o nível da produção está à altura das ambições do projeto. Porém, o resultado final não nos faz lembrar um filme assim agradável.

3 comentários:

Stella Daudt disse...

Desanimei, Rafael... De qualquer jeito, basta aparecer o Tom Cruise e já estou torcendo por ele. Sendo ficção científica, ainda ganha mais uns pontinhos. No final, ainda vou me divertir. ;-)

Matheus Pannebecker disse...

Acho que o Joseph Kosinski tem talento para filmes de ficção... Mas o que falta mesmo para ele são bons roteiros. Esse "Oblivion" é um saco!

Rafael Carvalho disse...

Não é dos mais animadores mesmo, Stella. O fator diversão está lá, mas acho que diluído em tanta bagunça...

Matheus, e é bom lembrar que esse aqui é baseado numa obra original dele, então a bagunça é garantida, haha.