segunda-feira, 13 de maio de 2013

Dor e libertação


Elena (Idem, Brasil, 2012)
Dir: Petra Costa



Difícil lembrar uma sessão tão emocional como essa do brasileiro Elena, um filme que te agarra no emocional desde o início e só te solta no fim. É um trabalho personalíssimo, uma história de família, mas que machuca fundo a quem assiste. É incrível como o filme funciona fácil, sente-se onipresente o tom melancólico de saudade, misto de lembrança e pesar pela perda de um ente querido.

A cineasta Petra Costa conta sua relação com a irmã Elena, que se suicidou quando jovem. Para isso, a diretora mune-se de uma infinidade de imagens de arquivo para resgatar essa personagem e a história de sua família, o primeiro grande acerto do filme. Mas a própria Petra é também figura importante na história, a irmã mais nova que observa os descaminhos de talento e insanidade pelos quais a mais velha passa, como criança sem entender muita coisa.

Agora, mais madura, retoma o material e constrói uma narrativa poética e lúcida sobre o drama de sua família. O segundo grande acerto de Elena é o texto em off que tem tanto de leveza, doçura e poesia, que torna tudo muito mais bonito de se ver, dolorosamente belo. É como uma carta-poema que Petra direciona a sua irmã querendo entender, se entender e entender o mundo ao redor por onde elas passam (e dançam).

E nesse se por no filme, Petra faz ainda uma bela relação com seu encontro pessoal com a arte, outra constante interessante no filme. Elena era atriz de teatro que ensina à pequena Petra como atuar. Se Elena vai se perder por outros motivos, Petra se lança no caminho da arte, depois do trauma da morte e das dúvidas comuns da juventude, a partir de uma experiência de vida que parece ter lhe aberto muitas portas, fechando outras. Mas agora o que se apreende é uma artista segura de seus passos, dona de um olhar aguçado.

A presença de Elena é sentida a todo instante no filme e mesmo com a sensação geral de dor, não se trata de uma obra pesarosa. É como uma forma de expurgo, propósito a que se serve diretora e também família (dor e remorso da mãe são marcas fortes no filme), mas a impressão final é de um trabalho sólido de montagem e recriação, autoavaliação, além da sensibilidade intensa que exala. 
Elena é memória, é dor, mas também libertação.

2 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Ainda não vi...cumprimentos cinéfilos.

O Falcão Maltês

Rafael Carvalho disse...

Veja assim que você tiver oportunidade, Antonio. O filme vale muito a pena.