sexta-feira, 5 de abril de 2013

Fábulas crescidas


Jack – O Matador de Gigantes (Jack the Giant Slayer, EUA, 2013)
Dir: Bryan Singer


Foi-se o tempo em que a história de João e o Pé de Feijão estava cercada pela inocência dos contos de fadas, do seu senso de perigo presente, mas muito mais ingênuo e fabular. Hollywood tem encontrado recentemente um novo filão que se presta a atualizar as histórias infantis para um público mais “moderno”. Histórias como as de Chapeuzinho Vermelho e João e Maria passaram recentemente a receber esse tratamento, com resultados bem desastrosos. Daí que esse Jack – O Matador de Gigantes é uma bela surpresa, garantindo bem a diversão.

É só pensar no Bryan Singer que nos deu os dois primeiros filmes dos X-Men, elevando o nível das histórias de super-heróis, sem desvirtuá-las do original, mas enxertando-as de uma adrenalina bem dosada. O que o diretor mantém aqui nesse novo projeto é sua condução segura para as cenas de ação e para o tratamento coerente dos personagens em suas funções dentro da fábula.

Nessa nova conjuntura, as historietas clássicas infantis ganham um tratamento bem mais arrojado em termos visuais, abusando das criaturas criadas por CGI, além da montagem mais ágil e um tom sempre mais grandioso nas ações dos personagens e também em termos de reveses da história. Tudo isso para alimentar a máquina insaciável da indústria do entretenimento que condiciona seus novos expectadores a narrativas mais arrojadas.

O Jack aqui (vivido por Nicholas Hoult) é o mesmo João que recebe as sementes mágicas que, quando molhadas, dão origem a árvores que brotam aos céus e conduzem à terra dos gigantes. Mas agora ele será inserido numa trama de conspiração e disputas de poder, além de ganha um interesse amoroso e precisar provar sua bravura e destemor diante do perigo que os gigantes representam. O curioso Joãozinho é agora um matador de feras, ou é isso que ele precisa se tornar.

Nessa perspectiva mais “adulta”, o filme aproveita para embarcar na fantasia e deleitar o espectador com a habitual trama do iminente perigo que precisa ser combatido. Quando a história parece ter sua conclusão, cria-se mais um desdobramento, fazendo desse terço final do filme seu melhor momento, aumentando o tom épico do todo. É o filme abraçando a fantasia, mas modernizando sua condução para soar mais próximo das novas gerações. Dessa vez deu certo.

3 comentários:

Stella Daudt disse...

Que bom que deu certo, Rafael, gosto do Bryan Singer, e detesto ver diretores talentosos se metendo em roubadas. As últimas versões da Branca de Neve não chegaram perto da emoção e encantamento provocados pelo desenho da Disney.

Kamila disse...

Eu estava meio desanimada para conferir este filme, mas tenho lido tantas boas opiniões sobre ele, incluindo a sua, que estou começando a repensar minha opinião e decisão de não assistir a este longa. De todo jeito, muito me incomoda essa tendência recente hollywoodiana de reinventar esses contos de fadas. Já tá ficando uma ideia muito batida!

Rafael Carvalho disse...

Stella, esse filme é bem a cara dele, tava em sua praia. E muito bem lembrado, as versões da Branca de Neve também são desastrosas.

Kamila, pois essa é uma das investidas nesse campo que melhor se deu bem na minha visão. E vi muita gente gostando também. O Synger é bom nessas coisas.