Os Croods – Uma
Aventura das Cavernas
(The Croods, EUA, 2013)
Dir: Kirk De Micco e Chris
Sanders

Há nesse movimento de saída um encantamento pela novidade, aquilo que Platão em sua “alegoria da
caverna” via como uma forma de se alcançar a consciência e o conhecimento, como
forma de fugir da ignorância. Essa primeira parte é a mais instigante do filme,
na medida em que nos encantamos também com aquilo que a família descobre. Mas
depois de passada essa fase, o filme aposta num humor bem bobinho, infantil
mesmo, e cai num conto comum de aventura. Sobressai, no entanto, um desenho de
personagens bem acabado e caprichado. Mas o mais interessante é que não
existe um grande vilão que aterroriza os heróis. O “mal” aqui é representado
pela própria Natureza em transmutação, obrigando os personagens a se deslocarem
e procurarem outro lar. Outro conhecimento de mundo.
O Último Elvis (El Último
Elvis, Argentina, 2012)
Dir:
Armando Bo

É
nessa corda bamba que passa a viver o personagem, tendo de lidar com uma função com a qual não está muito acostumado. Mas nada que se assemelhe aqui a uma comédia
de erros de um pai destreinado. O filme constrói a relação entre pai e filha de
forma muito funcional, um (re)encontro familiar, mas sem exageros. Ainda assim,
o sonho de Carlos em manter os caminhos pelos quais Elvis passou ainda é uma
chama forte dentro dele, um objetivo de vida do qual ele não quer se desgarrar,
mesmo que a noção de família ainda se faça presente. O filme assume assim um
tom melancólico, ainda que respeite muito a posição que Carlos assume para si,
nunca o julgando ou tomando-o por um louco desajustado. O Último Elvis é um retrato
naturalista de um comportamento inusitado diante do mundo.
Hitchcock (Idem, EUA, 2012)
Dir:
Sacha Gersi

Assim,
Hitchcock tenta dar conta de todas
essas problemáticas que estavam no caminho desse projeto, mas não revela nada
do que já não sabemos. Nesse percurso, além de exaltar a veia de genialidade do
cineasta inglês, o filme acaba também jogando luz sobre a participação
essencial de Alma Reville, esposa e braço direito de Hitch, na composição do
filme, apesar de duvidar do projeto e das brigas com o marido. Hitchcock é, portanto, um filme anódino,
querendo dar a impressão de uma história relevante sobre personagem caro à
história do Cinema. Funciona enquanto dura, mas depois se torna esquecível.
Moonrise Kingdom (Idem, EUA,
2012)
Dir:
Wes Anderson

É mais um conto de amor que Anderson traveste com sua
habitual “frieza”, quase apatia, com que os personagens conversam e se portam
(com aquele tom de atuação bem bressoniano e sem afetações), embora pareça
inegável que exista conexão e interesse entre eles. Mas o filme também flerta
com o nonsense na medida em que constrói um universo peculiar em que os
personagens coexistem (o acampamento de escoteiros e a casa da garota são os exemplos
mais bem explorados nesse sentido) e mesmo no senso de aventura que toma a
parte final do filme. Enfim, tem todos os ingredientes que fazem a alegria dos
fãs de Anderson, aqui reutilizados em prol da história que quer contar.
6 comentários:
É isso, queria ver mais Psicose e menos dramas amorosos com ciúmes adolescentes, hehe. Mas, gosto do filme ainda assim, tem seu charme.
Moonrise Kingdom é um Wes Anderson, mas não morro de amores também. Ainda quero ver O Último Elvis...
Agora, quanto aos Croods "Tam,tam, tam", hehe. Eu achei que eles consegue dosar o filme infantil com as questões do novo, do mito da caverna e com os aprendizados da vida. Uma animação que vai além das piadinhas e colorido para encantar crianças.
Olá, parceiro, estou de volta, pronto para trocar comentários e seguir suas postagens. Fico feliz em ver que seu blog continua a todo vapor.
Cumprimentos cinéfilos!
O Falcão Maltês
Interessante esse "vilão" de Os Croods. Quero assistir o quanto antes.
Quanto a O Último Elvis... melancolia é o tom do filme mesmo e deve-se louvar o roteiro por algumas escolhas. Me empolguei bastante com o resultado final, devo admitir.
Amanda, também acho Hitchcock charmoso (o filme, digo, hehe), uma boa palavra, mas depois se torna esquecível. Sobre Os Croods, entendo essa coisa do aprendizado, mas acho que continua caindo no campo das lições de moral, e nem acho que seja uma grande coisa aqui. O humor que me parece infantil demais, boboca.
Tô sabendo de seu retorno, Antonio. Tá uma beleza o site novo.
Bruno, é uma perspectiva diferente do que a gente tá acostumado essa coisa da Natureza ser o vilão em Os Croods. Mas o filme não me empolga muito mais que isso.
Também achei Hitchcock esquecível. Acho que o fizeram como uma quase-comédia peso-pena justamente para não serem acusados de pretensão. Mas, de qualquer forma, pintam Hitch como o bisonho obsessivo por trás de uma grande mulher.
"comédia peso-pena" é uma ótima expressão, Gustavo. Hehe. O pior de tudo é que o filme só acaba transformando o Hitchcock numa caricatura. Isso vai ficando perigoso.
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