segunda-feira, 22 de abril de 2013

Mulheres e diamantes


462. Os Homens Preferem as Loiras (Gentlemen Prefere Blondes, EUA, 1953)
Dir: Howard Hawks



Nunca preso a um único gênero e sempre ligado ao modo de produção clássico hollywoodiano, Howard Hawks é uma exemplo claro de cineasta dos grandes estúdios. Mais do que interessado em imprimir uma marca estética própria, ele fazia seus filmes como que motivado pelo simples prazer de contar histórias. Sua marca está na praticidade e objetividade de suas obras, para além de algumas temáticas recorrentes.

Daí que Os Homens Preferem as Loiras funciona como um ápice da comédia sofisticada, um das grandes vertentes na filmografia do diretor, passeando agora pelos caminhos do filme musical, muito embora Marilyn Monroe e Jane Russel não fossem as dançarinas mais desenvoltas. Mas são elas que protagonizam essa história de duas amigas que viajam num transatlântico rumo a Paris.

Se no cinema de Hawks as noções de amizade, especialmente a masculina, ganham importância central, funcionando mesmo como microcosmos familiares, aqui as duas moças assumem essa relação, apesar da personalidade tão divergente de ambas, quase como contrapontos de uma mesma alma feminina. As mulheres aqui também deixam de ser aquelas que invadem o universo dos homens e o modificam ou abalam. Em Os Homens Preferem as Loiras, são os caminhos delas que interessam enquanto observação de vidas que buscam por realização pessoal e passional, cada uma a sua maneira.

Lorelei Lee (Monroe) não esconde sua fascinação por dinheiro, joias e luxo e sua mania de conquistar homens ricos, coisa que é escancarada já no número musical que abre o filme; também é famoso o número musical em que ela canta que os “diamantes são os melhores amigos de uma garota”. Por outro lado, Dorothy Shaw (Russel), menos picareta, está mais à procura de homens bonitões e atléticos, independente de seus dotes financeiros.


Mas apesar de tudo, o filme tem sua pitada de ingenuidade na forma despretensiosa como lida com essas questões, a despeito da desaprovação de Dorothy pela forma como a amiga pensa sobre a felicidade junto a um homem. Mesmo assim não há julgamentos no filme, mas a abordagem atrevida de um estilo de vida. Desde o início sabemos das convicções, nem sempre “bem vistas”, que movem as protagonistas, o que dota a obra de uma bela desfaçatez com que trata os fascínios dessas mulheres pelos homens e suas "qualidades".

O filme se aproveita desse clima para tecer piadas muito boas (a língua de Dorothy é bastante afiada nesse sentido, despeitando a própria amiga na sua “vulgaridade”) e criar momentos realmente hilários, como a cena em que Lorelei tenta escapar por uma janela e fica entalada, tendo de disfarçar sua escapada com a ajuda de uma criança. A comédia de erros tem sua cota de esperteza aqui nas trapalhadas e voltas que os personagens dão nos papéis que assumem. Só os minutos finais que bagunçam um pouco a coisa com reviravoltas desnecessárias, mas que não tiram a graça do todo. Difícil num filme tão espirituoso e descarado, no melhor dos sentidos.


4 comentários:

Wanderley Teixeira disse...

Confesso, ainda não assisti Os Homens preferem as Loiras, mas é interessante essa perspectiva sobre o cinema de Hawks e sobre o cinema q era feito naquela época. Temo pelo remake previsto para essa obra, nem sei em que pé está...

Stella Daudt disse...

Amei o filme quando assisti, especialmente porque sempre fui fã de Marilyn. Gostaria de revê-lo... Tomara que exista na minha locadora.

Elton Telles disse...

Excelente filme!
Monroe e Russell são dinamite pura e exibe uma química que poucas atrizes em cena conseguiram reproduzir.

Só digo uma coisa: preciso rever esse diamante! =)

Rafael Carvalho disse...

Eita Wanderley, nem sabia que estavam encomendando um remake. Diante de obra tão espetacular, é de se temer mesmo. E não deixe de ver, é um filmão.

Acho que já existe até em Blu-ray, Stella. Pelo menos eu vi numa cópia assim em alta definição. A Marilyn tá ótima nesse filme, parece o tipo de personagem perfeita pra ela fazer.

Por aí, Elton. Eu só não gosto muito delas como dançarinas, mas o valor do projeto está em outras diamantes ;)