Dir: William Friedkin

William
Friedkin retorna agora aos filmes policiais exatamente 40 anos depois de ter
lançado Operação França, um de seus trabalhos mais festejados no gênero. O tempo nos prova que ainda existe vigor e
força criativa num cineasta que parecia estanque. Foi assim também quando ele
voltou ao cinema de horror com o angustiante Possuídos (depois do marco que é O Exorcista), filme pouco visto, mas muito apreciado num círculo
restrito de cinéfilos, obra psicologicamente potente.
Parece
que acontece o mesmo com esse Killer Joe –
Matador de Aluguel, filme brutal, de tons amorais, que não fez muito
sucesso nos Estados Unidos e chega aqui com lançamento bem restrito. Sua maior
qualidade está no percurso de insanidade que vai se expandindo à medida que a história
avança, como um neonoir de formas
trágicas, jogando o espectador num covil de personagens sem escrúpulos.

Estamos,
portanto, no terreno dos tipos sem escrúpulos, das famílias desestruturadas e dos
acordos que põe em garantia as próprias vidas dos envolvidos, tudo beirando o doentio e a desarmonia. A família vive num trailer desarrumado, tratam-se com
arrogância, não há arrependimento quando um trai o outro. À noite, quando a
madrasta abre a porta para o enteado, ela aparece nua da cintura pra baixo, e a
câmera faz questão de mostrar a vagina cabeluda da mulher, diante da indignação
do rapaz. É nesse tipo de amoralismo que Friedkin se debruça, essa podridão que
permeia o filme do início ao fim (e que fim!).

Além disso, a reviravolta final faz encaixar uma série
de pistas que o filme vai deixando pelo caminho, revelando um roteiro
redondinho e surpreendente, perpassando pelas atitudes tortas e vis dos
envolvidos. Na meia hora final, o filme explode em grotesca violência (com a
bizarra e já famosa cena envolvendo uma coxa de frango). Quando acaba, larga o
espectador sem amparo, desconcertado, assim como as trajetórias sem perspectivas
de seus personagens.
2 comentários:
É a combinação perfeita de um roteiro que orgulha manuais com uma direção segura, que combina tesão e fluidez. De toda a geração do Sexo, Drogas e Rock n' Roll, seria Friedkin quem melhor envelhece?
Leo, o Friedkin envelheceu muito bem, não? Acho incrível como ele consegue se desvencilhar de certos lugares comuns num filme mais amoral, mais doentio. Mas o roteiro tá redondinho, nada sobra ali. E a metade final é sensacional.
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