Dir:
Doug Liman

É como
um anti-Godzilla já que o não piscar
parece ser o principal objetivo a causar no espectador, um misto de
entretenimento e anestesia, ainda que seja interessante acompanhar o
funcionamento do dispositivo de volta no tempo. Não há tensão pré-ensaiada, nem
mesmo quando o filme abre a narrativa com imagens reais de arquivos para apresentar
esse mundo fora de ordem ameaçado por forças destrutivas alienígenas que
precisam ser combatidas no campo de batalha.
Tom
Cruise interpreta esse soldado que é jogado no front de guerra sem preparo e no
primeiro confronto com os alienígenas volta no tempo antes de morrer. Em loop,
ele seguirá retornando do mesmo ponto e vai precisar juntar forças com a
super-soldado Rita, vivida por Emily Blunt. Dado importante é que os combatentes do futuro usam uma armadura acoplada ao corpo, incorporam literalmente uma
estrutura de aço e tecnologia para tornarem-se máquinas de liquidar.

Cabe,
por fim, um comentário à parte, mas que ajuda a entender a maquinaria por trás
de produtos comerciais como esse. O filme faz alusão a um acontecimento histórico (o
desembarcar na praia é uma clara referência ao Dia D, momento decisivo dos
combates na II Guerra Mundial) para descartá-lo como elemento fundamental de uma história
presente. As imagens documentais do início disfarçam essa ironia porque se misturam
num novelo para criar a ilusão de um momento atual descartável, remodelável. Para
salvar a Terra vale tudo, até mesmo implodir o Louvre sem uma gota de remorso,
levando junto a História da humanidade que se preserva ali. O amanhã de Doug
Liman joga fora o nosso passado para construir um futuro assegurado, embora sombrio
de outras formas.
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