Real Beleza (Idem, Brasil,
2015)
Dir:
Jorge Furtado
Jorge
Furtado, tão associado às comédias de qualidade, nos chega agora com um drama
romântico não tão inspirado, mas que reserva suas qualidades. Começa talvez
apostando na pretensão de ser um estudo sobre a beleza, do ponto de vista
estético e poético, através da arte – o protagonista é um fotógrafo –, mas logo
revela sua faceta mais convencional.
No
centro da história está o perfeccionista João (Vladmir Brichta), obcecado por
encontrar a modelo perfeita, de beleza rara e incomum. Parte para o interior
gaúcho e, em meio a tantas candidatas, conhece a jovem Maria (a novata Vitoria
Strada), sua musa a partir de então.
O
filme dá mesmo a impressão de que vai se deter sobre a vida e as escolhas das
belas garotas aspirantes a modelo, tipo de profissão cruel e exigente, tão efêmera, mas que povoa os sonhos de muitas
meninas, um passo em direção à vida do estrelato. Aborda-se a beleza, mas
também as concessões exigidas.
E
é por aí que o filme adentra por outros caminhos. Como Maria ainda é de menor, precisa
da aprovação dos pais, o que ela mesma recusa de pronto. Como não quer perder a
descoberta que fez, João viaja até a fazenda onde a menina mora com a família.
Conhece a mãe (Adriana Esteves) e espera a retorno do pai (Francisco Cuoco), que
se opõe fortemente aos desejos da filha.
Não
demora muito para que o galã João chame a atenção da mãe da garota. Real Beleza abraça, então, o melodrama e
envereda por conflitos que expõem, aos poucos, os anseios amorosos dos
personagens numa situação tão incomum. O filme soa como produto leve, draminha
que se poderia dizer ingênuo e mesmo previsível. Apesar dessa abordagem
“popular”, há algo de erudito nas diversas referências que Furtado utiliza (a
fotografia de Cartier-Bresson, a biblioteca borgiana do pai, sonetos e poemas
recitados em momentos distintos etc).
É
nesse meio termo que Real Beleza
move-se e em que gira a própria obra de Furtado. Tudo está no lugar, o texto é
leve, escrito com cuidado e apuro, mas nunca esnobe (não vindo desse diretor), a
condução é clássica, mas funcional, bons atores em cena. Até quando parece muito
próximo temática e esteticamente do baiano A
Coleção Invisível, de Bernard Attal, o longa consegue caminhar com suas
próprias pernas, embora não queira chegar muito longe com elas.
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