terça-feira, 24 de setembro de 2013

Medos clássicos

Invocação do Mal (The Conjuring, EUA, 2013)
Dir: James Wan


É muito curioso e gratificante ver que Invocação do Mal não traz nada de novo no front dos filmes de terror (nem parece querer essa posição), mas consegue feitos muito bons de tensão e horror. Dentro de um gênero tão mal tratado e que carece de bons exemplares recentes, isso é muita coisa, ainda mais por uma obra tão clássica, sem firulas. Sua história parece um requentar de tantas outras que vemos há tempos, com os mesmos elementos de sempre, mas funciona muitíssimo bem ao que se propõe.

Estão lá a casa mal assombrada, as aparições nos armários e cantos escuros, os relógios que param sempre no mesmo horário de madrugada, crianças que têm seus pés puxados à noite na cama, portas que rangem, aparições nos espelhos. Todos os elementos que o cinema de terror já cansou de repetir, sem que aqui eles apareçam com um novo ar; tudo é facilmente reconhecível.

Mas o grande trunfo desse filme é investir suas energias em bons personagens, conflitos críveis e explicações palpáveis (mesmo que reprocessadas do filme anterior de Wan, Sobrenatural) para os eventos macabros. Porque não estão em jogo somente os tormentos da família Perron, que se muda para uma nova casa infestada de espíritos maléficos, mas também os desafios do casal de paranormais Ed e Lorrain Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga), famosos por assumirem uma série de casos que se mostraram furados. Mas agora o que eles enfrentam é diferente, é demoníaco, e ainda envolve os instintos maternos de Lorraine.

Se a primeira parte do filme serve para desenvolver os personagens, apresentar todos esses elementos que compõem a atmosfera assustadora do filme e causar uma série de sustos no espectador, a terça parte final ganha muito em tensão e eleva o que já estava interessante em termos de sensação de medo e apreensão. Quando as brincadeiras de fantasma tornam-se um caso de possessão demoníaca, a coisa fica realmente mais apreensiva.

É quando o filme consegue acelerar o ritmo sem atropelar a narrativa e ainda fazer convergir os conflitos que estão espalhados pela história. É também quando ele mostra que não precisa reinventar a roda. Mesmo no estilo mais clássico, consegue inspirar medinho dos mais genuínos, com truques muito simples de montagem e som.

O final talvez seja um tanto piegas e meio apressado, quando a força do mal precisa ser suplantada por algo tão do nível do emocional, mas talvez esteja aí a coragem e diferença desse filme para os demais. Perde um pouco em realismo, mas não desmerece todo o senso de suspense e horror que veio antes.

3 comentários:

Stella Daudt disse...

São tantas as críticas favoráveis por parte dos meus cinéfilos favoritos, que já me decidi a assistir "Conjuring". Só não sei se será em casa, à luz do dia, ou numa primeira sessão de um cinema próximo.

Amei seu comentário: "Mas o grande trunfo desse filme é investir suas energias em bons personagens, conflitos críveis e explicações palpáveis para os eventos macabros". Isso me basta.

Stella Daudt disse...

Rafael, com tantos elogios, achei que você daria mais do que 3 estrelas é meia... Pelo menos um 8?

Rafael Carvalho disse...

Eu gosto do filme, mas não me parece assim um clássico como muita gente já tem se antecipado em dizer. Como filme de terror é muito satisfatório, bem mais que do outros exemplares por aí.