sábado, 26 de janeiro de 2013

Filho pródigo


O Último Desafio (The Last Stand, EUA, 2012)
Dir: Kim Jee-woon 


Como confirmação do retorno de Arnold Schwarzenegger ao cinema e ao filão de filmes de ação a que ele pertence (há pelo menos mais outros três filmes em fase de finalização com ele programados para os próximos anos), O Último Desafio consegue ser mais do que caprichosas boas-vindas. O indício dessa volta já estava plantada lá em Os Mercenários e sua continuação recente, embora ali se tratava de um pastiche dos filmes de ação de tempos atrás. Agora ele protagoniza um belo exemplar do gênero, uma grata surpresa neste início de ano.

Mas na verdade, O Último Desafio começa como dois filmes distintos. De um lado tem-se o registro cômico de uma cidade interiorana em que a força policial vive em estado de quase apatia, muito pela aparente ausência de perigo. É onde vive o xerife Ray Owens (Schwarzenegger), ainda na ativa e no comando apesar da idade avançada para a profissão.

No outro polo, temos um cenário de ação ultramoderno em que um perigoso contrabandista (Eduardo Noriega) foge enquanto é levado a uma outra prisão e passa a ser caçado pelo FBI em missão de alto risco. Ele dirige um carro com motor superveloz, o que dificulta sua perseguição; seu plano é pegar um desvio pela cidade do xerife Owens a fim de despistar a força policia e chegar ao México.  

Quando esses dois filmes se encontram, os choques poderiam ser desastrosos. Mas o barato aqui é notar o equilíbrio que ambos os registros passam a manter, permanecendo as altas doses de adrenalina e de bom humor, tudo muito vibrante e empolgante. É um ótimo filme pipoca, conduzido pela mão certeira do cineasta coreano Kim Jee-woon, em seu primeiro longa nos Estados Unidos.

É bastante simbólico que o personagem de Schwarzenegger represente a resistência da ação quando todos já o podiam imaginar fora de forma. É exatamente a imagem do herói destemido construída ao logo de tanto tempo que ele tenta resgatar através desse xerife. Só que aqui, esse homem sente a idade, é falível, lutando também contra a ação da ferrugem no próprio corpo, o que torna a coisa toda mais empolgante e cheia de tensão. O destemor em proteger sua cidade e fazer cumprir a lei é o que lhe move.

Para além disso, o retorno de Schwarzenegger é dos mais bem-vindos porque o filme tem senso exato de ação e adrenalina, permeada por um humor ligeiro, inofensivo, mas que funciona muito bem na equação a que o filme se propõe. Consegue levar a sério o drama de todos os personagens, sem concessões, ao mesmo tempo em que os usa como alívio cômico quando precisa. Entre a ação e a comédia, o filme sempre encontra o tom certo e nem sempre há bons exemplares dessa roupagem no âmbito do cinema comercial.

2 comentários:

Stella Daudt disse...

Que boa sugestão, Rafael! Tomara que esteja levando em um cinema perto de casa. Sempre gostei do Schwarzenegger e fico feliz que ele tenha um retorno à altura. Um abraço, S.

Rafael Carvalho disse...

Pois é Stella, esse filme é pra quem gosta mesmo de ação, e não poderia ser um retorno melhor para um grande astro do gênero.