À Toda Prova (Haywire, EUA/Irlanda,
2011)
Dir:
Steven Soderbergh

As
cenas de luta são todas muito boas, viscerais no sentido de soarem mais cruas e
conviventes mesmo, com a protagonista batendo e apanhando na mesma medida,
ajudada por uma montagem eficiente e ritmada como são nos bons filmes de ação. Por
isso faz muito sentido que a protagonista desse filme seja a ex-lutadora de MMA,
Gina Carano. Seu casting e presença
de cena funcionam muito bem dentro do projeto (muito melhor que a escalação da
ex-atriz pornô Sasha Grey para fazer o insosso Confissões de uma Garota de Programa, por exemplo). À Toda Prova ainda tem aquele gostinho
de produto B descartável, mas que agrada bem enquanto dura.
O Porto (Le Havre,
Finlândia/França/Alemanha, 2011)
Dir:
Aki Kaurismäki

Por mais que Kaurismäki transporte a história para uma cidade
portuária francesa (lugar mais propício às discussões da migração clandestina
justo por ser uma dos destinos mais almejados na Europa), é perceptível a estética visual
colorida, quase kitsch, visto em
filmes como O Homem Sem Passado e Luzes na Escuridão. Interessante como o
diretor-roteirista apresenta uma gama de personagens que compõem o universo de Marcel,
aparentemente sem importância, mas que ganham relevância para o desfecho da
história. Assim como a trama paralela da doença incurável de sua esposa terá
papel importante, mas para reafirmar, mais uma vez, o direito à felicidade.
Para Kaurismäki, ela só chega através da bondade.
Jogos Vorazes (The Hunger
Games, EUA, 2012)
Dir:
Gary Ross

Interessante
como esse filminho que mira o público jovem consegue manter um subtexto
político sutil, propondo alguma reflexão, mas sem exagerar no tom. Além disso, existe um curioso
e feliz uso da câmera da mão que surpreendentemente funciona muito bem no
sentido de criar tensão, seja na primeira metade preparatória do filme, com as intrigas
e conspirações sendo formadas (parte que eu mais gosto), seja quando as
próprias disputas mortais começam no campo de batalhas. Aí, o filme perde um
tanto porque força algumas situações (principalmente quando as regras do jogo
mudam), mas ainda tem sua parcela de boa aventura.
Battleship – Batalha
dos Mares
(Battleship, EUA, 2012)
Dir:
Peter Berg
O
que tanto desagrada em Battleship –
Batalha dos Mares é sua principal motivação: expor o espectador o tempo que
puder à estética da destruição com suas explosões, ataques e bombardeiros
desferidos, de um lado, por máquinas mortíferas que chegaram do espaço, contra
navios de guerra da Marinha norte-americana. Seria até interessante se entregar
à adrenalina da situação, caso o filme tivesse um mínimo de cuidado com sua
trama e seus personagens. Mas tudo é tão imbecilizado, a começar pelas motivações
dos personagens, suas falas clichês (Rihanna só está no filme para dizer coisas
do tipo: “Meu pai sempre disse que isso ia acontecer”, a vidente). Fora as
tramas paralelas que envolvem a necessidade de amadurecimento do tenente Alex
Hooper (Taylor Kitsch) e a tentativa de
que seu superior (Liam Neeson) aceite o namoro dele com sua linda filha.
Dizer
que o filme é baseado no jogo Batalha Naval parece dos mais absurdos porque existe
somente uma tentativa de acrescentar uma artimanha encontrada pela tripulação
para substituir os radares interceptados pelas forças alienígenas, o que simularia um jogo de tabuleiro. Seria mais apropriado identificá-lo como uma
versão genérica e piorada de Transformers,
já que os vilões chegam equipados de máquinas destrutivas que se assemelham a
robôs mal feitos. Sobra, assim, mais um produto da indústria hollywoodiana de produzir
anestesia nos espectadores que se dispuserem em sentar pouco mais de duas horas
para serem atingidos por obra tão vazio e recalcada.
2 comentários:
"descartável, mas que agrada bem enquanto dura."
Perfeita descrição do estranho filme do Soberba.
Gustavo, gostei do "Soberba", hehehe. No final das contas, esse novo filme dele é diversão boba, mas eficiente.
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