segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Sem inspiração

A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, Reino Unido, 2014)
Dir: James Marsh


Filme mais anódino não poderia ser. A tão esperada cinebiografia do astrofísico inglês Stephen Hawking (vivido por Eddie Redmayne) não passa de uma espécie de celebração cinematográfica para uma figura que talvez nem precise disso. Mas uma história de vida marcada pela superação é tentador demais para se deixar de lado, apesar de o filme não oferecer muito do que já não se sabe sobre ele.

Acometido por um tipo raro de esclerose que paralisou seus músculos, mas que não afeta a atividade cerebral, Hawking revela-se um prodígio da matemática já nos estudos acadêmicos, quando conhece a bela Jane (Felicity Jones) e logo é diagnosticado pela doença. O filme se detém na relação entre eles e de como superaram os problemas provenientes da doença para formar família e para que ele pudesse encantar o mundo com seus estudos pioneiros e teorias geniais no campo da astrofísica.

É o tipo de filme que tem uma cartilha dramática já ensaiada por tantas outras histórias com a mesma engrenagem: quer emocionar e criar um gosto de trajetória vitoriosa, apesar das adversidades do destino. É bem possível desvencilhar de certos padrões narrativos, mas essa não parece ser a opção escolhida por James Marsh e seu roteirista Anthony McCarten.

Não se há de esquecer que o filme é baseado em livro escrito pela própria Jane, esposa do homem, focando na relação entre os dois, o que fortalece a marca de chapa-branca e pieguice. Há algo de melodrama aí, embalado por uma fotografia que abusa dos filtros para conferir determinadas sensações: ora é radiante, depois melancólico, em seguida emocionante.

Também não é difícil observar a atuação de Eddie Redmayne, tão admirada por aí, e não perceber um tipo de composição afetada, que valoriza mais os tiques e exageros do que uma construção complexa, ainda que o personagem peça um tanto desses trejeitos. Mas nesse filme aqui, da forma como ele se nos apresenta, Redmayne parece mais confortável soando assim porque parece o caminho mais comum, mais óbvio a seguir, mimetizando a figura de Hawking. 

A Teoria de Tudo é esse filme “edificante”. Estranhamento, o personagem está o tempo todo sorridente ou de bem com a vida. Faz parecer que o árduo caminho seguido por Hawking era inevitável e que ele só precisava por em atividade sua supra inteligência a serviço do conhecimento humano. O filme que ser inspirador, mas acaba mesmo sem grandes momentos inspirados.

3 comentários:

Clenio disse...

Concordo plenamente. Filme formulaico e previsível. Redmayne está bem, mas um Oscar seria exagero, ainda que a Academia adore o gênero de sua interpretação.

Abraços,
Clênio
www.lennysmind.blogspot.com
www.clenio-umfilmepordia.blogspot.com

Stella Daudt disse...

E a nota é 7,8 no imdb. O filme agradou sobretudo às jovens com menos de 18 anos. Dá para ser visto em casa...

Rafael Carvalho disse...

E ele é muito novinho também Clênio, mas a Academia tem essa fixação por atuações físicas demais, acho bem tentador.

Stella, o filme tem agradado muita gente. É mesmo uma história que angaria adeptos do grande público porque oferece as facilidades de um drama que muita gente admira. Mas de qualquer forma, merece ser visto.