domingo, 12 de setembro de 2010

Morre Claude Chabrol

Que susto tomei hoje com a notícia da morte de Claude Chabrol. O cineasta que inaugurou a Nouvelle Vague com seu longa de estreia, Nas Garras do Vício, e fez parte do grupo de jovens turcos, revolucionando a crítica cinematográfica ao fundarem a clássica Cahiers du Cinéma, tinha uma produção cinematográfica das mais prolíficas. O melhor era que toda essa vitalidade se mostrava perceptível em seus filmes, sempre dirigidos com extrema elegância e vigor criativo.

Apaixonado por Hitchcock, imprimiu em sua filmografia um tom de mistério latente (como em O Açougueiro, para mim, seu melhor filme e mesmo no mais recente A Teia de Chocolate), ao mesmo tempo em que fazia uma crítica mordaz da vida burguesia em toda sua hipocrisia e vaidades (como no maravilhoso Quem Matou Leda? ou no seu Urso de Ouro Os Primos).

E o que dizer da paranoia psicológica do sensacional Ciúme – O Inferno do Amor Possessivo, ou da trama hipnótica e perturbadora de A Dama de Honra, ou olhar político farsesco de A Comédia do Poder? Morre Claude Chabrol, mas não o seu cinema que há de permanecer vivo e atual por muitos e muitos anos.

7 comentários:

Otavio disse...

Notícia terrível, meu caro! Estamos todos tristes neste domingo sem graça! Amanhã escrevo sobre Chabrol no Hollywoodiano.

Abs!

Stella Halley disse...

Dá pena, Rafael, Chabrol era um diretor ativo mesmo aos 80 anos. Ficou ótima a sua homenagem!

Gustavo disse...

Fiquei chocado, porque ele não estava doente (estava?) e porque pouco vi de sua obra, mal representada no mercado de DVDs brasileiro pela Continental. Ainda bem que, a tempo, a confiável Lume anunciou algumas importantes obras suas em edições decentes para dezembro.

Alex Gonçalves disse...

Infelizmente, há diretores cujas filmografias não estou sintonizado. Claude Chabrol é um deles. Para não dizer que sou desinteressado, vi ao menos um filme: "Uma Garota Dividida em Dois". Com toda a certeza assistirei a outros títulos do cineasta.

Rafael Carvalho disse...

Triste mesmo, Otávio, porque o cara continuava no pique de fazer mais filmes primorosos. Que descanse em paz!

Obrigado, Stella, apesar da tristeza que nos acomete.

Pois é, Gustavo, também não sei se ele estava doente, mas me pareceu uma coisa muito repentina. Esperava muito mais uma morte do Godard do que do Chabrol. De qualquer forma, é uma maneira para irmos atrás dos filmes dele. Esse mês vou tentar assistir mais alguns.

Alex, conheço essas coisas do Chabrol que eu citei no post, mas estou disposto a procurar mais outras coisas, principalmente via download. Não acho que seja difícil encontrar.

Alex Gonçalves disse...

Os filmes de Claude Chabrol são muito fáceis de se encontrar. Acho que a maior parte de sua filmografia está disponível no Making Of.
Um abraço!

Rafael Carvalho disse...

Exato Alex, mas lá no MKO nem sempre é fácil encontrar o pessoal semeando. Já tive problemas para baixar filmes do Chabrol lá por isso.