sexta-feira, 22 de abril de 2011

Curtinhas

Poesia (Shi, Coreia do Sul, 2010)
Dir: Lee Chang-dong


Há de se duvidar que um filme com um título desses esteja bem próximo de um melodrama bobinho. Mas o nome engana, felizmente. Remete à história de uma senhora que decide ingressar num curso de poesia. O cineasta sul-coreano Lee Chang-dong, prêmio de roteiro no último Festival de Cannes com esse longa, filma a vida simples de Mija (Yun Jeong-hie, ótima no papel), de onde ela vai encontrar matéria-prima para seus poemas. Seria simplista taxar o filme de poético, como pode facilmente ser o caminho mais fácil; é mais uma obra que inclui a arte da poesia na vida aparentemente pacata de uma mulher que precisa lidar com algumas dificuldades.

O neto jovem com quem mora está sendo acusado de ter mantido relações sexuais com uma colega menor de idade (que depois cometeu suicídio), além de que ela passa a apresentar uma memória já enfraquecida que indica a proximidade do Alzheimer. Por isso mesmo, Mija não parece perceber os problemas ao redor; pelo contrário, ela procura inspiração poética nas coisas mais simples do seu dia-a-dia. Os textos que surgem daí sugerem um estado puro de poesia. Chang-dong filma com muita calma os descaminhos de sua personagem, enquanto ela se perde na própria doença. A narrativa do filme consegue ainda convergir todas as pontas soltas da história num final redondinho, e também desalentador.


Não Me Abandone Jamais (Never Let Me Go, Reino Unido/ Estados Unidos, 2010)
Dir: Mark Romanek


Existe uma estranheza muito bem-vinda em Não Me Abandone Jamais. Pode-se dizer que se trata de uma ficção científica que tem início em meados do século passado. Envolve um tratamento encontrado para prolongar a vida e saúde das pessoas, utilizando outros seres humanos para tal. Falar mais do que isso pode estragar surpresas. O ponto de partida está em três crianças que se tornam amigos no estranho e rígido internato onde estudam. Kathy, Tommy e Ruth (vividos em suas fases adultas por Carey Mulligan, Andrew Garfield e Keira Knightley) crescem num ambiente educacional bastante controlador, enquanto se preparam para seguir o destino de cada e ainda se envolvem emocionalmente, numa disputa das meninas pelo amor de Tommy.

Mas o problema do filme não se encontra na inclusão do tom romanesco inserido no filme (na verdade, acaba se tornando o grande viés narrativo da película), mas existe uma tentativa incômoda de sempre parecer sofrido, doloroso, quase como forçando um sentimento de pena no espectador durante a projeção. O elenco, no entanto, está todo ótimo, de Charlotte Rampling a Andrew Garfield que, melhor dos três protagonistas, me surpreendeu com a composição ideal de um personagem ingênuo. Existe ainda uma ótima ideia no roteiro de que através dos trabalhos artísticos de alguém é possível atestar seu amor verdadeiro por outra pessoa. Discute-se o valor da arte quando o próprio filme se perde num tom melodramático feito pra chorar, esses de arte menor.


VIPs (Idem, Brasil, 2010)
Dir: Toniko Melo


Toniko Melo, proveniente da publicidade, aporta como muitos outros diretores brasileiros no cinema de longa-metragem com a interessantíssima história de um golpista que conseguiu se fazer passar por outras pessoas. VIPs, melhor filme do Festival do Rio ano passado, faz um estudo interessante de Marcelo do Nascimento e o transtorno de personalidade que o levou a uma carreira de farsante inicialmente bem-sucedida se considerarmos até onde ele conseguiu chegar com sua lábia e dom de iludir. Um pai ausente surge como explicação dessa necessidade do personagem em provar que pode ser alguém na vida, mesmo que um malandro.

Toniko filma sem grandes atributos, mas a história que está contando, toda alicerçada por um personagem incrível, consegue manter bem o ritmo do filme. Mas o maior apoio de Toniko é a atuação caprichada (mais uma vez) de um Wagner Moura conferindo complexidade suficiente para esse jovem outsider em busca de visibilidade e poder. Há ainda um tom de ingenuidade em Marcelo que o livra de um julgamento prévio de oportunismo; por mais arriscadas que sejam suas trapaças, ele não possui senso de perigo para perceber tal risco. Daí, se fazer passar pelo filho de um dos donos da Gol no carnaval de Recife não parece representar uma grande dificuldade, mas mais um teatrinho em que ele se especializou.


Pânico 4 (Scream 4, EUA, 2011)
Dir: Wes Craven


Muita gente aponta o grande valor de Pânico nesse novo retorno como um filme que faz piada de si mesmo, usando a metaliguagem dentro do gênero terror como força motriz da própria narrativa. Mas fico pensando se os outros filmes da série já não faziam isso! Vendo dessa forma, Pânico 4 é mais um complemento que na verdade não complementa nada a uma série que tem em seu primeiro episódio algo de renovador no gênero, permanecendo muito bem cotado na memória. Dessa vez, Sidney (Neve Campbell) retorna à cidade de Woodsboro, palco do primeiro massacre, para lançar uma autobiografia, quando Ghostface ataca novamente e começa um novo ciclo de matança.

Nesse jogo de fazer referências e piadas à própria série, o filme acaba caindo em alguns lugares-comuns que já foram vistos nos mesmos filmes anteriores. O que para muitos representa uma homenagem, pode ser visto também como falta de criatividade. Talvez aqui as mortes sejam um tanto mais violentas e há uma fixação pelo registro imagético, algo bem contemporâneo, já que o serial killer agora grava todas as mortes cometidas; mas nada que torne Pânico 4 tão distinto dos demais. O filme tem seus momentos de diversão, alguns bons sustos, Craven continua filmando bem, mas, no final das contas, o filme quer mesmo é celebrar sua autofagia.


A Sétima Alma (My Soul to Take, EUA, 2010)
Dir: Wes Craven


Taí um filme que mesmo reprocessando alguns lugares-comuns do terror, possui algo de interesse. Wes Craven assume, sem pudor, certo tom de exagero para promover mais uma carnificina que gira em torno de um grupo de sete jovens que nasceram no mesmo dia que um perigoso e esquizofrênico assassino matou a esposa e fugiu. 16 anos depois, mortes voltam a acontecer na pequena cidade e surge a lenda de que o estripador voltou para eliminar cada um dos sete, talvez de posse do corpo de um deles. O tom exagerado aparece principalmente na construção de alguns momentos em que o filme assume a caricatura, quase esbarrando no ridículo (como na cerimônia de aniversário dos sete, ou na encenação do condor na sala de aula ou no discurso inflamadamente religioso de uma das personagens).

A sequência inicial que apresenta o assassino e seu distúrbio de múltipla personalidade é tão bom quanto o ritmo ágil presente em toda a projeção. Wes Craven, atualmente em grande visibilidade por conta da quarta sequência de da série Pânico, merecia muito mais atenção por esse A Sétima Alma. O filme dá várias dicas para a resolução do mistério de quem seja o assassino para logo em seguida desfazer essas pistas, mantendo seu segredo até os minutos finais. Tenso e plausível, A Sétima Alma faz jus ao gênero horror mesmo que precise cair em armadilhas conhecidas. Mas se sai muito bem ao aceitar e conduzir seus excessos.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

As cores de sempre

Rio (Idem, EUA, 2011)
Dir: Carlos Saldanha


Não sei exatamente há quanto tempo o diretor Carlos Saldanha mora nos Estados Unidos, mas é tempo suficiente para que ele tenha absorvido a forma torta de olhar para o Brasil e as características mais exóticas que geralmente chamam a atenção dos estrangeiros. O problema é que esse é seu próprio país, demonstrativo de uma vergonha um tanto maior, a despeito da esperança de que com Rio, dirigido por um "nativo", o retrato do país tivesse um tratamento diferenciado e mais bem direcionado.

Tiro n’água. Rio é um amontoado de caricaturas que ao invés de extrapolarem em seu tom “exótico”, se vendem como gracinhas (o que é pior) sobre a Cidade Maravilhosa, lembrada pela Baía de Guanabara como cartão postal, e também através do Carnaval, samba, bossa nova e favela. Ou seja, o de sempre.

Mas é preciso pensar também que existe um estúdio norte-americano por trás de tudo pagando as despesas (e querendo retorno financeiro por isso). Não é difícil imaginar que essa visão de estereótipo tenha sido uma condição para o projeto sair do papel, uma grande jogada de idenficação para o público.

Mas a visão simplista e repetida que o filme faz do Rio de Janeiro nem é o maior problema do longa. Rio peca por um roteiro fraquíssimo em que as situações se desenvolvem sem o maior senso de propósito. Será que ninguém estranha a facilidade com que um especialista convence uma moça norte-americana a viajar com sua arara-azul para o Brasil como se fosse um passeio ali na esquina? Ou como uma buldogue fantasiado de Carmen Miranda desfila numa escola de samba?

O filme tenta ganhar pela graciosa aventura de Blu, com seu jeito atrapalhado, que precisa voltar ao Brasil para acasalar e salvar a espécie em extinção. Para isso, tem de conquistar a arredia Jade, última fêmea de sua classe. Como se não bastasse, ainda existe um subtexto ambientalista como parece ser de praxe nesse tipo de produção.

Além disso, nenhum dos personagens humanos parecem ter um mínimo de raciocínio lógico e inteligência, o que facilita muita as coisas para que o filme faça comédia com as várias burrices que são cometidas e ditas durante a projeção. Grande parte da comédia é feita de tombos desastrados e trapalhadas diversas. Tem divertido muita gente.

Fora todos esses problemas, há de se reverenciar pelo menos a beleza visual de encher os olhos que o filme traz, fazendo jus a todo o dinheiro gasto. Reconstruções como a do Cristo Redentor e da Baía de Guanabara são fidelíssimas, junto com o ótimo trabalho de design dos personagens e qualidade técnica dos movimentos. Nesse ponto, Rio é mesmo impecável.

A projeção 3D, por sua vez, não contribui em nada para a experiência uma vez que é quase desusado no filme; talvez só aumente a força das belas imagens, com todo o seu colorido exuberante. Mas não há nada ali que o justifique, somente a vantagem de fazer arrecadar mais dinheiro. Aliás, Rio é uma das maiores estreias no país, tanto na quantidade de salas que ocupa como em arrecadação mesmo. Por isso, pode ser tomado também como um dos maiores embustes das animações recentes.

sábado, 9 de abril de 2011

Estado de suspensão

Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Loong Boonmee Raleuk Chat, Tailândia/França/Reino Unido/Alemanha/Espanha/Holanda, 2010)
Dir: Apichatpong Weerasethakul



“Está muito escuro aqui”, diz a certa altura o tio Boonmee, ao que sua irmã responde: “calma, aos poucos você se acostuma”. Pois o cinema do tailandês Apichatpong Weerasethakul (também conhecido como Joe no Ocidente), carece desse ato de se acostumar, de certa compreensão de um projeto de cinema muito próprio e cheio de personalidade. A cena parece um aviso aos espectadores.

Em seu universo, e principalmente nesse filme e em Mal dos Trópicos (uma quase obra-prima, que se diga), ambos muito próximos temática e esteticamente, o místico e o misterioso se encontram como filosofia de vida de seus personagens. É onde fantasmas, animais e criaturas bizarras se encontram e interagem com o ser humano da forma mais orgânica possível.

A câmera do cineasta filma tudo sem choque ou estranhamentos, o que revela não só uma segurança com seu objeto de observação como demonstra uma proximidade com todo esse universo temático. Tudo soa muito natural. Ao espectador basta se afeiçoar a esse estilo quase zen, ganhando em troca uma possível submersão a um mundo novo, desconhecido. Digo possível pois é preciso predisposição para isso.

Mas voltando ao diálogo, a escuridão a que o personagem se refere trata-se da proximidade da morte (ele sofre de insuficiência renal). Nesse processo, ele recebe em sua fazenda as visitas de sua cunhada e sobrinho para ajudá-lo e fazer companhia; mas eis que, inusitadamente, aparecem também sua esposa falecida, em forma de espírito, e seu filho desaparecido, agora transfigurado num macaco fantasma. É a brecha para que tio Boonmee relembre suas vidas passadas.

A narrativa se desenvolve com a habitual calmaria que o cineasta imprime a seus filmes e nem tudo possui explicações lógicas, mas sim um tom evocativo, de tranquilidade, apesar das bizarrices de alguns momentos (a primeira aparição do macaco fantasma é mesmo medonha). É como um estado de suspensão, de contemplação diante do novo.


Uma das maiores qualidades do filme é sua capacidade de nos apresentar ao inusitado. Nunca sabemos o que vem a seguir, mas acompanhamos tudo com muita curiosidade. Assim é possível se impressionar com a cena do jantar em que as visitas inusitadas aparecem, ou quando a narrativa retrocede e conta a história de uma princesa e seu encontro (sexual!) com um bagre, ou então a peregrinação na floresta para que Boonmee chegue até a caverna onde teve a sua primeira encarnação.

Existe também uma visão muito conformista em relação à morte (o que é muito da cultura oriental). O próprio teor místico e as possibilidades de reencarnações que se apresentam no filme já nos dizem isso. Nesse sentido, não há tristeza diante do fim, mas uma sensação de continuidade através de outra forma de vida que poderá vir a seguir. Num momento emblemático, o espírito da esposa falecida desconstrói toda uma ideia de paraíso celeste quando diz que “o céu é superestimado, não tem nada lá”.

O cinema de Weerasethakul pode ser considerado o mais inusitado que surgiu nos últimos anos. Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas reúne todas as características de seu cinema, apesar de estar um passo atrás de seus filmes anteriores. Mas é uma resposta afiada para quem acusa o cinema atual de falta de originalidade e mesmice. Taí um filme diferente de qualquer coisa que estamos acostumados a ver. Cinema de invenção, mas principalmente de coração.

sábado, 2 de abril de 2011

Em apatia

Um Lugar Qualquer (Somewhere, EUA, 2010)
Dir: Sofia Coppola


Sofia Coppola fez de novo. Mais um daqueles filmes naturalistas que encontram seus personagens presos na bolha de vazio que tomou suas vidas. É dessas situações que ela tira o substrato de seu cinema. Em Um Lugar Qualquer, Leão de Ouro no último Festival de Veneza, ela reprocessa o mesmo tom narrativo da sua quase obra-prima Encontros e Desencontros, através de uma história simples, intimista e marcada pela apatia de seu protagonista.

Sofia captura os personagens nesse momento de suas vidas em que tudo mais ao redor parece progredir em grande velocidade enquanto eles permanecem parados no tempo, estáticos, perdidos. Assim é Johnny Marco (Stephen Dorff), paradoxalmente, um ator de filmes de ação. Nesse sentido, a cena inicial é bastante representativa pois vemos um plano fixo de uma estrada onde Johnny dá voltas contínuas em alta velocidade em seu carro; depois para em primeiro plano, sai do veículo e permanece parado. Sua vida não parece ter emoção nenhuma.

Enquanto permanece hospedado num luxuoso hotel, em meio a festas, bebidas, mordomias e belas mulheres a seus pés, recebe inesperadamente a visita da filha Cleo (Elle Fanning), que mora com a mãe, divorciada dele. Um Lugar Qualquer acompanha os movimentos dos personagens que preenchem suas vidas indo de lá pra cá, fazendo coisas pequenas, em certo ponto agradáveis, mas nunca saem do lugar.

O olhar minimalista de Sofia dota o filme de um ritmo lento e sem percalços (como a própria rotina do personagem), mas sempre interessado por eles. Por mais apática que possa ser a rotina de Johnny, a realizadora sempre observa tudo com uma visão muito carinhosa, sem julgamentos. Uma trilha sonora pontual aparece aqui e ali, sempre no momento certo, sem estridência. A fotografia de Harris Savides, que parece um especialista em luz diurna, bem bonita, parece chamar atenção para o dia inaproveitado.

De uma forma diferente, a vida de Cleo ainda parece ter seu frescor pela jovialidade latente, muito embora, no fundo e revelada por um momento final de desabafo da garota, há uma mostra do quanto ela sofre pelo distanciamento dos pais. É quase como uma herança da vida sem perspectivas do pai.

Além disso, Sofia faz questão de apresentar o mundo das celebridades com toda sua fogueira de vaidades. Quando Johnny é homenageado na TV italiana, fica evidente o fator fútil com que os astros são tratados, a despeito do visível desconforto de Johnny perante as câmeras e, posteriormente, durante uma entrevista coletiva em que as perguntas feitas são muito vazias.

Mas chama atenção a última pergunta: “quem é Johnny Marco?”, questão essa que o próprio personagem não sabe (ou não consegue) responder e que nos diz muito sobre o momento de inexatidão e insegurança por que passa.

Lembro que no discurso do Oscar quando Sofia recebeu a estatueta pelo roteiro de Encontros e Desencontros, ela citou Michelangelo Antonioni como uma de suas referências. E Antonioni parece ser o que mais de evidencia no universo de ambos os filmes, pois os silêncios, tão preciosos para o mestre italiano, falam muito dos personagens de Sofia. Eles guardam a dificuldade de se expor, de promover mudanças. Sensação essa que faz com as pessoas percebam que pertencem a algum lugar, mas não àquele em que se encontra. Um lugar que precisa ser descoberto.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Filmes de março


1. Uma Mulher Sob Influência (John Cassavetes, EUA, 1974) ****

2. A Quarta Aliança da Sra. Margarida (Carl Theodor Dreyer, Suécia, 1920) ****½

3. O Garoto (Charlie Chaplin, EUA, 1921) **½

4. Close-Up (Abbas Kiarostami, Irã,1990) ****½

5. A Erva do Rato (Júlio Bressane, Brasil, 2008) ****

6. Era Uma Vez no Oeste (Sergio Leone, Itália/EUA, 1968) ****½

7. Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas (Arthur Penn, EUA, 1967) ****

8. Monsieur Verdoux (Charles Chaplin, EUA, 1947) ****½

9. Rango (Gore Verbinski, EUA, 2011) ***½

10. Gosto de Cereja (Abbas Kiarostami, Irã/França, 1997) ***½

11. Playtime – Tempo de Diversão (Jacques Tati, França/Itália, 1967) ****

12. Bruna Surfistinha (Marcus Baldini, Brasil, 2011) ***

13. Inverno da Alma (Debra Granik, EUA, 2010) ***

14. Poesia (Lee Chang-dong, Coreia do Sul, 2010) ***½

15. Malu de Bicicleta (Flávio Ramos Tambellini, Brasil, 2010) **½

16. Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Apichatpong Weerasethakul, Tailândia/Reino Unido/França/Alemanha/Espanha/Holanda, 2010) ***

17. Um Lugar Qualquer (Sofia Coppola, EUA, 2010) ****

18. Deixe-me Entrar (Matt Reeves, EUA/Reino Unido, 2010) ***

19. O Rio Sagrado (Jean Renoir, França/Índia/EUA, 1951) **½

20. Jogo de Poder (Doug Liman, EUA/Emirados Árabes, 2010) ***½

21. Sexo Sem Compromisso (Ivan Reitman, EUA, 2011) **

22. Vamos Nessa (Doug Liman, EUA, 1999) ***½

23. Gertrud (Carl Theodor Dreyer, Dinamarca, 1964) ****½

24. Alma em Pânico (Otto Preminger, EUA, 1952) ****

25. Não Me Abandone Jamais (Mark Romanek, EUA/Reino Unido, 2010) **

26. VIPs (Toniko Melo, Brasil, 2010) ***½

27. Sucker Punch – Mundo Surreal (Zack Snyder, EUA/Canadá, 2011) *½

28. A Sombra de Uma Dúvida (Alfred Hitchcock, EUA, 1943) ***½

29. Redenção (Roberto Pires, Brasil, 1959) ***

30. A Grande Feira (Roberto Pires, Brasil, 1961) ****

terça-feira, 22 de março de 2011

Contracorrente

Jogo de Poder (Fair Game, EUA/Emirados Árabes, 2010)
Dir: Doug Liman



O mais improvável deste filme é o fato de ser dirigido por Doug Liman. O cineasta tem no currículo os péssimos Sr. e Sra. Smith e Jumper, tendo sido uma grande surpresa para mim quando vi seu mais novo projeto entre os filmes selecionados para a mostra competitiva do Festival de Cannes ano passado.

Parece o exemplo claro do cineasta que tem pretensões de fazer produtos interessantes, mas é engolido pela máquina hollywoodiana de produzir besteiróis. Mas se formos analisar bem, ele dirigiu anteriormente Identidade Bourne, que começou muito bem a trilogia que só cresceu, e o muito bom Vamos Nessa. Se estes não têm a carga política que Jogo de Poder traz, são exemplos do ótimo diretor que Liman consegue ser se estiver no projeto certo.

Livre de amarras, o longa nos conta a intrigante história da agente secreta da CIA Valerie Plame (Naomi Watts) que, envolvida, entre outras coisas, nos programas de inteligência que estudavam a existência de armas de destruição em massa no Iraque pós 11 de setembro, tem sua identidade revelada publicamente.

Ao mesmo tempo, ela precisa preservar sua família de tal exposição, tendo como grande suporte seu marido (Sean Penn) que, por sua vez, se empenha em travar um confronto contra as mentiras que são manipuladas sobre sua mulher indo a público e se pronunciando sempre que possível. O que não significa que o casal se livre de uma crise no relacionamento.

O filme deixa muito claro as intenções do então presidente George Bush em invadir o Iraque tendo como desculpa a suposta existência de um programa de armas nucleares no país. Toda a trama do filme gira em torno da insistência do governo republicano em ignorar as fartas informações da CIA de que tais programas não existiam no país governado por Saddam Hussein.

Bush precisava defender um pretexto para invadir o país, e começou-se toda uma comoção, tendo a mídia como aliada, a fim de difundir um clima alarmante de risco iminente de mais ataques não só contra os EUA, mas também em outras nações ocidentais. Nesse confronto, os agentes da CIA que conheciam as verdadeiras intenções por traz de tudo aquilo, lutavam do lado mais fraco da corda; no caso de Valerie, eram esmagados pelo poder e pouco podiam fazer para resistir.

Se o filme pode soar um tanto datado como algo que, hoje, todos nós já estamos cansados de saber sobre a não existência dessas armas no Iraque, vale muito por um ótimo roteiro que dá conta de revelar os diversos meandros do poder que aquela situação envolve, sem nunca soar pretensioso ou confuso.

Há ainda um grato tom de urgência e sobriedade que Liman imprime no ritmo da película. Sua câmera na mão nunca soa gratuita, e nem se faz notar tanto assim, o que o torna um cineasta a se vigiar, perdoado pelas besteiras que fez no passado e com potencial de nos entregar filmes tão corajosos e bem realizados como esse Jogo de Poder.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Diário de bordo

Bruna Surfistinha (Idem, Brasil, 2011)
Dir: Marcus Baldini


O fato de Bruna Surfistinha ser um filme melhor do que se podia esperar dele já é uma grande vantagem se considerarmos algumas irregularidades no projeto. Mas o trio de roteiristas que se debruçou sobre o livro autobiográfico O Doce Veneno do Escorpião, escrito pela ex-prostituta Raquel Pacheco, transformou o material num filme bastante correto e nada vulgar, o que parecia ser o maior receio em torno do projeto.

Pois o longa retrata com muita sinceridade os rumos tomados pela menina (ela saiu de casa aos 17 anos de idade) de classe média paulista na vida de prostituta. Ela conheceu o sucesso quando passou a relatar em seu blog os detalhes dos programas que fazia. Ao mesmo tempo que ganhou fama e dinheiro, se afundou nas drogas.

Apesar de um final um tanto abrupto e um começo um tanto desnorteado (nunca sabemos, de fato, qual o real motivo dela ter saído de casa e porque seu relacionamento com a família era tão frio), o filme dá consistência a essa personagem que queria ser alguém na vida e conseguiu vendendo o corpo.

Mas ao tomar partido da personagem, como não podia ser diferente, o filme não apresenta nenhum tipo de julgamento para seus atos, mesmo quando ela começa a se afundar em seu próprio sucesso, e essa é a melhor qualidade do longa. Da espelunca em que trabalhava, onde tinha que atender todo tipo de homem, até o serviço de luxo que criou em sua própria casa, passamos a torcer pelo sucesso de Bruna.

Nesse mesmo sentido, as cenas de sexo são todas muito boas, realistas na medida do possível (nada explícito), mas também nada tão vergonhoso que pareça mal realizado. Nesse ponto, Deborah Secco merece elogios por sua corajosa entrega à personagem, embora no geral sua atuação seja apenas mediana.

Mas, ao menos, existe um esforço visível dela para apresentar uma atuação decente, o que chega a acontecer algumas vezes, como numa das melhores cenas do filme em que Bruna faz o seu primeiro programa. Em meio à dor e ainda despreparada naquele ofício, a atriz encara a câmera numa atitude imponente e resistente. Acaba se tornando uma cena chave no filme pois é naquele momento em que a personagem sente na pele os sacrifícios que aquela ocupação exige, mas ao mesmo tempo busca força de vontade para se decidir que é aquilo mesmo que quer fazer a partir de então.

E vale lembrar a aparição cheia de vigor de Drica Morais, como a cafetina de Bruna, e também de Cássio Gabus Mendes, o cliente que se apaixona por ela, personagem que acaba revelando um tipo clássico de homens carentes que procuram carinho nas prostitutas.

Se nos quesitos técnicos poucas coisas se destacam (talvez um trabalho de figurino interessante), chama atenção a trilha sonora que tem na música They Don’t Make Mistakes, da dupla Tejo Damasceno e Andre Lucarelli, um chicletinho bom.

Assim, Bruna Surfistinha é um relato nada glamourizado da vida de uma garota de programa. Apesar dos tropeços e da pouco experiência do diretor Marcus Baldini, o filme passa como um olhar sem censuras e nunca barato sobre um assunto, na maior parte das vezes, tão discriminado no Brasil.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Curtinhas

Enterrado Vivo (Buried, EUA/Espanha/França, 2010)
Dir: Rodrigo Cortés


Se tivesse assistido a esse filme ano passado, com certeza estaria entre os melhores do ano. E não consigo entender como um projeto com um potencial tão grande de arregimentar público teve campanha e distribuição tão pouco valorizadas. Pois Enterrado Vivo é um longa angustiante que acompanha um personagem preso dentro de um caixão em toda sua duração. O melhor é como o roteiro consegue dar consistência a essa história de forma inteligente e ágil, ao mesmo tempo em que alcança momentos de tensão pelo simples fato de termos seu protagonista em uma situação limite, mantendo isso até o final, eletrizante.

Paul Conroy (Ryan Reynolds, com certeza em sua melhor atuação) é um motorista de caminhão que, durante uma emboscada sofrida em serviço no Iraque, acorda dentro de um caixão debaixo da terra portando poucos objetos como um celular, um isqueiro e uma lanterna. O público descobre junto com o protagonista por que ele está metido naquela situação e acompanha com a mesma apreensão suas tentativas de se livrar dali (faz isso tentando ligar para as pessoas certas). O filme ainda possui um trabalho de fotografia orgânico que aproveita todo foco de luz para construir sua iluminação. Corajoso em sua proposta, Enterrado Vivo é um misto de surpresa e tensão.


O Joelho de Claire (Le Genou de Claire, França, 1970)
Dir: Eric Rohmer


Meu primeiro Rohmer foi O Raio Verde, filme com o qual não simpatizei muito. Daí fiquei com pé atrás para conferir mais obras desse diretor da Nouvelle Vague francesa (morto no início do ano passado, aos 89 anos). Mas eis que O Joelho de Claire revelou um talento enorme em cativar o espectador com todo aquele falatório, o que no filme anterior me pareceu uma tanto distante, sem muita emoção. Porque nos filmes de Rohmer é assim: os personagens conversam pelos cotovelos. Ele filma com muita simplicidade, sem arroubos estéticos e estilísticos; mais importa as relações entre personagens e os sentimentos de cada um.

Aqui, Jerome (Jean-Claude Brialy) é um homem preste a se casar e vai passar uns dias sozinho no campo para vender sua casa e encontra uma velha amiga. Ela lhe apresenta à jovem romântica Laura (Béatrice Romand) e depois à infantil e bela Claire (Laurence de Monaghan), de quem Jerome se encanta pelo joelho. Chega um ponto da narrativa em que Jerome consegue reafirmar o amor pela esposa e resiste em se envolver com Laura; é quase uma segurança adquirida. Mas logo será abalado pelo fascínio incompreensível pelo joelho de Claire, que, por sua vez, nem dá bola para esse homem mais velho. Com a maestria do excelente texto de Rohmer, o filme investiga o fetichismo e o poder da atração, essa que pode surgir quando menos se espera e atacar os mais prevenidos.


127 Horas (127 Hours, EUA/Reino Unido, 2010)
Dir: Danny Boyle


Danny Boyle é aquele diretor que começou a carreira com um ótimo filme (Cova Rasa) e uma direção madura e que ano passado fez o terrível Quem Quer Ser um Milionário, numa direção desastrosa parecendo coisa de principiante. Pois agora ele lança esse 127 Horas, com uma ótima premissa, mas que se desenvolve de forma artificial e vazia (ajudada por uma fotografia totalmente publicitária). Temos aqui o aventureiro Aron Ralston (James Franco) que numa de suas escaladas pelas montanhas rochosas do estado de Utah fica com o braço preso numa pedra. O filme é um daqueles projetos que chama atenção porque se constrói basicamente com um único personagem que tenta se livrar de determinada situação até o fim do longa.

Seria o caso de louvarmos se o roteiro do filme não fosse tão desastrado. Durante muito tempo, Aron se entrega a flashbacks e alucinações que não ajudam em nada a desenvolver o personagem (dão ideia de “gastando o tempo”). A tal cena "forte", que tanto tem causado comoção e sensações desagradáveis em algumas platéias, é um tanto enfraquecida por uma péssima montagem que quebra o ritmo da tensão a todo instante. Por fim, a atuação do Franco é de uma canastrice sem igual, com o ator se esforçando muito com caras e bocas para transmitir aperto. Tudo isso faz do filme um projeto assim vazio, sem muito o que dizer, o que depreender.


A Erva do Rato (Idem, Brasil, 2008)
Dir: Julio Bressane


Eu que não sou dos maiores fãs de Julio Bressane, me surpreendi ao ter gostado desse A Erva do Rato, seu mais último trabalho. O cinema dele é bastante peculiar, sem concessões, joga o espectador numa trama nunca explícita e cheia de esquisitices e licenças narrativas. Aqui, a história é livremente baseada em dois ótimos contos de Machado de Assis (A Causa Secreta e Um Esqueleto, muito embora pegue emprestado pouca coisa de cada um). Gira em torno de um casal que se conhece num cemitério e passa a viver juntos.

Quase todo o filme se desenrola dentro da casa dos dois, onde começa a se formar um jogo de sexualidade estranhíssimo: ele tem o fetiche de fotografá-la nua, sempre em ângulos muito fechados; ela, refém desse jogo, é seduzida, talvez inconscientemente, pelo prazer que lhe proporciona um misterioso rato (!?!) que ronda a casa. O filme tem seu ar de alegoria ao mesmo tempo em que enche de bizarrice as atitudes de seus personagens. Presos a seus desejos, eles seguem como que seduzidos por suas próprias vontades, fora de si; e as atuação de Selton Mello e Alessandra Negrini são de grande entrega, no tom certo de veracidade e vigor. O final aterrador é um atestado de até onde esse jogo pode durar e levar. O último plano, torto, deixa ainda mais claro o senso de deslocamento e desconforto.


A Origem (Inception, EUA/Reino Unido, 2010)
Dir: Christopher Nolan


Depois de passada tanta badalação em torno desse filme, também visto como um quebra-cabeça concebido pelo sempre competente Christopher Nolan, quis escrever algumas palavras para não passar batido aqui no blogue. A Origem é mais um exemplar do cinemão comercial inteligente e bem realizado que parece ser a maior qualidade de ser realizador (vide os ótimos Batman Begins, O Cavaleiro das Trevas, O Grande Truque). A trama é conhecida e acompanha um grupo liderado por Cobb (Leonardo DiCaprio) que consegue adentrar nos sonhos das pessoas, sendo possível implantar determinadas ideias em seus subconscientes.

É o tipo de roteiro instigante que dá gosto de acompanhar até porque prende a atenção do espectador que, na mesma medida em que espera respostas para os mistérios que vão sendo apresentados, anseia por surpresas que, aqui, vão surgindo a cada sequência. O desejo por adrenalina também é satisfeito porque a ação não para à proporção em que a trama “evolui” enquanto se tornar possível entrar no sonho do sonho do sonho do sonho. Mas talvez por todo esse caminho turbinado, o roteiro seja por demais confuso e cheio de detalhes impossíveis de se apreender de uma só vez. O problema disso é ser enganado sem ter consciência disso. Tecnicamente impecável, em especial nos quesitos de efeitos especiais, som e trilha sonora, mesmo assim, é um bom filme, mas longe da obra-prima que pintam.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Real nostalgia

O Mágico (L’Illusionnist, França, 2010)
Dir: Sylvain Chomet



Com O Mágico, o animador Sylvain Chomet realiza a feliz tarefa de reviver o espírito do cineasta e comediante francês Jacques Tati junto com as principais características de sua obra, talvez uma das mais coesas da história do cinema. A animação é baseada num roteiro não filmado deixado por Tati.

A história gira em torno de um mágico tradicional que vê seu trabalho cada vez mais desprezado por platéias como um todo. Ao conhecer uma humilde jovem que ainda vê os números de ilusionismo com admiração, o mágico persiste em seu ofício, tentando ganhar o sustento e leva a garota a morar com ela numa cidade maior. Nas entrelinhas, um subtexto autobiográfico evidencia uma relação conturbada entre Tati e sua filha Sofia, (a quem o filme é dedicado).

Seria um problema maior, talvez, e pelo qual o filme tem sido atacado, o fato de Chomet abusar um tanto da melancolia que, se em Tati é quase uma consequência final presente em seus filmes, depois das trapalhadas de seu personagem, em Chomet é parte integrante da narrativa.

Está ali desde o início, literalmente, pois o filme começa em preto-e-branco, dotando a obra de um tom de tristeza latente. E isso aproxima bastante esse O Mágico da obra-prima As Bicicletas de Belleville, conto anterior de Chomet, mais do que a qualquer outro filme de Tati (mesmo que o próprio filme referencie explicitamente Meu Tio, um dos mais aclamados filmes de Tati, que é visto num momento em que o mágico entra por acaso em um cinema).

Mesmo assim, a alma do cineasta francês morto em 1982 está lá, seja no personagem reproduzido do conhecidíssimo Sr. Hulot, na narrativa em forma de esquetes, na ausência de diálogos, na nostalgia impregnada. Chomet faz uma grande referência ao gênio tatiniano, mas sabe incluir seu próprio estilo ao filme, a começar pelo recurso óbvio da animação com um traço bonito e bastante tradicional.

Em meio a toda essa melancolia empregada, o filme traz também seus momentos cômicos, como não poderia faltar num roteiro escrito por quem foi. O melhor é que as gags apostam na inteligência do espectador para que sejam compreendidas e, por se tratar de um filme muito discreto em suas pretensões, elas nunca são explosivas; querem mais é despertar aquela risada leve, mas ainda assim prazerosa.

Da mesma forma, existem várias sutilezas e detalhes durante todo o filme que sempre se tornam agradáveis quando descobertos. Além disso, o filme faz mostrar que os shows de mágica são tão tradicionais como a própria animação feita à mão. E que ambos ainda conseguem encantar as pessoas com sua beleza mais do que comprovada.

terça-feira, 1 de março de 2011

Filmes de fevereiro


1. A Noite do Demônio (Jacques Tourner, Reino Unido, 1957) ***

2. Adeus, Meninos (Louis Malle, França/AlemanhaOcidental/Itália, 1987) ***½

3. O Bom Coração (Dagur Kári, EUA/Dinamarca/Islândia/França/Alemanha, 2009) ***½

4. Dieta Mediterrânea (Joaquín Oristrell, Espanha, 2009) **

5. Biutiful (Alejandro González Iñárritu, México/Espanha, 2010) **

6. Os Profissionais (Richard Brooks, EUA, 1966) ***½

7. Cisne Negro (Darren Aronofsky, EUA, 2010) ****

8. O Mágico (Sylvain Chomet, França/Reino Unido, 2010) ***½

9. O Concerto (Radu Mihaileanu, França/Rússia/Itália/Romênia/Bélgica, 2009) *½

10. Splice – A Nova Espécie (Vincenzo Natali, Canadá/EUA/França, 2009) *

11. Beatrice Cenci (Lucio Fulci, Itália, 1969) ***½

12. Era Uma Vez em Tóquio (Yasujiro Ozu, Japão, 1953) ****

13. O Vencedor (David O. Russel, EUA, 2010) ****

14. Santuário (Alister Grierson, EUA/Austrália, 2011) **

15. Hatari! (Howard Hawks, EUA, 1962) **½

16. Arizona Nunca Mais (Joel e Ethan Coen, EUA, 1987) ***½

17. Meu Tio (Jacques Tati, França/Itália, 1958) ***

18. Na Roda da Fortuna (Joel e Ethan Coen, EUA/Reino Unido/ Alemanha, 1994) **½

19. O Discurso do Rei (Tom Hooper, Reino Unido/EUA/Austrália, 2010) **½

20. Bravura Indômita (Joel e Ethan Coen, EUA, 2010) ***½

21. O Ritual (Mikael Håfström, EUA, 2011) **

22. Burlesque (Steve Antin, EUA, 2010) **

23. Um Doce Olhar (Semih Kaplanoglu, Turquia/Alemanha, 2010) ***½

24. Enterrado Vivo (Rodrigo Cortés, EUA/Espanha/França, 2010) ****

25. Film Socialisme (Jean-Luc Godard, França/Suíça, 2010) **

26. Um Homem com Uma Câmera (Dziga Vertov, União Soviética, 1929) *****

27. Tempo de Embebedar Cavalos (Bahman Ghobadi, Irã, 2000) ***½

28. Três Reis (David O. Russel, EUA/Austrália, 1999) ***½

29. Dias de Ira (Carl Theodor Dreyer, Dinamarca, 1943) ****

30. Dente Canino (Giorgos Lanthimos, Grécia, 2009) *½

31. Exit Through the Gift Shop (Banksy, Reino Unido/EUA, 2010) ****

32. 127 Horas (Danny Boyle, Reino Unido/EUA, 2010) **

33. Fora da Lei (Rachid Bouchareb, França/Argélia/Bélgica, 2010) ***

34. Reino Animal (David Michôd, Austrália, 2010) ***


Revisões:

35. Marcas da Violência (David Cronenberg, EUA/Alemanha, 2005) ****½

36. Toy Story 3 (Lee Unkrich, EUA, 2010) ****